O milagre da auto responsabilidade

A solução milagrosa que tantos procuram para emagrecer, ganhar dinheiro e ter sucesso, é muito simples…
Anos trabalhando como Health Coach me fez perceber que o motivo principal do porquê não vamos até o fim nos objetivos que dizemos ter é normalmente o mesmo e é sobre isso que falo no episódio de hoje. Confira comigo como a auto responsabilidade te deixa incrivelmente poderoso.

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Muito mais que uma solução milagrosa para você ganhar dinheiro fácil, perder gordura rápido ou aprender a se concentrar com dicas fantásticas, é a auto responsabilidade que vai fazer você enriquecer, emagrecer ou ficar mais focado, milagrosamente.

Nessa segunda temporada do Bocadinho meu assunto principal é auto desenvolvimento. Eu estou trazendo reflexões divididas em 12 episódios e a cada semana trago um ponto novo ou me aprofundo no que foi visto anteriormente. Se por acaso você chegou aqui agora, te convido a ouvir os 5 episódios anteriores.

Para mim, um dos caminho para você se desenvolver, ser melhor e conquistar o que quer é conhecer a si mesmo. Para isso, nos últimos episódios eu introduzi o assunto sobre valores, quis colocar você em contato com seu eu mais profundo em meditação para você sentir quem você é, e na semana passada fui extremamente sincera ao analisar o nosso romantismo patológico que nos torna vítimas estáticas.

Hoje, eu vou continuar falando sobre o mesmo assunto de valores, mas agora com o foco na auto responsabilidade.

Se você já me acompanha nas redes sociais, pode ser que já tenha ouvido eu falar que acho esse papo de foco, força e fé para alcançar objetivo a maior besteira que dizem por aí. Se essa fosse a solução, estava fácil.. mas não é.

A solução, como venho falado aqui nas últimas semanas, é mais complexa e demorada do que a gente acreditou até aqui.

Mas, para colocar de maneira objetiva: você não consegue ir até o fim nos projetos e metas que diz querer porque você não sabe o que quer.

Simples assim.

Não é que te falta disciplina, motivação, dinheiro, estrutura, apoio… te falta clareza.

E a clareza vem com auto responsabilidade de assumir as redeas da sua vida.

Acredito muito que boa parte dos planos que deixamos pelo caminho e dos objetivos que não levamos até o fim são pelo desalinhamento entre o que falamos querer e o que realmente achamos importante.

Sabemos que não existe fórmula universal para o sucesso. Primeiro porque sucesso, segundo o dicionário, é qualquer resultado de um negócio ou empreendimento. Sendo assim, o sucesso é tão variável quanto as possibilidades de um negócio ou empreendimento.

Segundo porque contextos e valores diferentes geram vontades e necessidades diferentes que vão fazer cada um de nós tomar caminhos diferentes… ou pelo menos assim seria se tivéssemos auto responsabilidade nas nossas escolhas.

Teoricamente nós crescemos e nos tornamos adultos responsáveis. Nós temos empregos, cuidamos da casa, pagamos boleto, damos atenção aos filhos. Mas muitas das nossas escolhas nós fazemos sem estar totalmente conscientes do que estamos fazendo.

Por mais doido que possa parecer, muitas vezes deixamos os outros escolherem nossas metas e objetivos por nós, e aí, acabamos presos em caminhos que não tem fim. Ou porque ficamos parados em um certo ponto, quando encontramos um imprevisto ou uma pedra no caminho, ou ficamos correndo atrás do nosso próprio rabo e não saímos de onde começamos.

Vou contar uma história minha para ilustrar isso na prática…

Eu faço atividade física regularmente há 10 anos. Hoje em dia é claro para mim que o motivo pelo qual eu faço são dois: para cuidar da minha saúde e para exercer minha disciplina. Mas não era assim uns anos atrás.

Quando era mais nova, eu comecei a me exercitar por motivos estéticos. Eu queria ter mais músculos e assim passei alguns anos seguindo rotinas de exercícios de musculação, além de seguir um plano alimentar com mais comida do que minha fome.

Até que esse objetivo estético perdeu o sentido, e eu me vi perdida. Não achava mais a menor graça em ir para a academia e levantar peso.

Mas, a prática de atividade física, tinha um outro ponto que era estar saudável, que para mim é muito importante. Então, além do objetivo estético que eu tinha, um dos meus valores fundamentais que é estar saudável, fazia parte do meu objetivo de me exercitar frequentemente.

Parar totalmente de me exercitar não era uma possibilidade que eu cogitava, então nesses últimos anos mudei muito o tipo de atividade que faço.

Teve uma época que eu comecei a correr com mais frequencia. Eu já corria às vezes, mas decidi correr mais, porque era uma atividade nova e eu gostava.

Nesse tempo eu perdi a conta de quantas vezes alguém falou pra mim que eu deveria me inscrever em uma maratona. O argumento era sempre o mesmo: você corre bem, devia correr uma maratona. 

No início até cogitei, mas a ideia nunca foi um sim estrondoso pra mim. Analisando eu pensei “pra que? qual o meu objetivo em correr uma maratona? Ok, seria um desafio pessoal, uma conquista… mas é essa conquista que vai me fazer sentir melhor? É isso que vai me fazer ser saudável?”

Até o momento a resposta tem sido: não.

Lembro que um personal trainer com quem treinei por algum tempo, quando me sugeriu correr uma maratona e eu disse “não quero”, ele disse “mas você consegue” ao que eu respondi “sim, tenho certeza que consigo. Só não tenho vontade.”

Eu nunca me inscrevi em uma maratona não por medo ou por achar que não conseguiria. Eu nunca me inscrevi porque eu sabia que provavelmente eu ficaria mais estressada e irritada com o processo do que feliz e realizada. O que vai totalmente contra um dos meus valores inegociáveis que é estar saudável.

Estar saudável para mim é cuidar do meu físico e do meu mental.

E no momento de vida que estou, atividade física é para ter um tempo para mim, para aliviar os pensamentos de trabalho e preocupações que tenho no restante do dia, para manter meu corpo como gosto de ver no espelho e para manter os bons hábitos que gosto de ter.

Nesse sentido, um treinamento intenso com planilhas, horários e metas, muda a concepção toda do porque eu pratico a corrida.

Assim como mudar a minha alimentação totalmente para me manter nutrida e disposta para essa pratica, não é minha prioridade.

Eu, hoje, priorizo leveza ao me alimentar. Poder comer o que tenho vontade, só quando tenho fome e na quantidade que eu fico satisfeita. Pensa como eu ficaria se tivesse que seguir um plano alimentar?

Já fiz isso no passado, por motivações diferentes, mas hoje, não faz sentido algum e por isso nem começo.

Na semana passada eu falei como muitas vezes a gente acaba querendo o que o outro tem, mas não para para analisar o que ele fez ou faz para manter aquilo e caímos na cilada de achar que foi sorte ou que pra ele foi fácil.

Assim como muitas vezes a gente ouve a opinIão ou sugestão dos outros e aceita como nossa sem o minimo de reflexão e confronto com nossos valores reais.

E pra mim é por isso que acabamos começando dietas que não chegam ao final, desistindo de acordar cedo para ir para academia e gastando o dinheiro que dissemos que íamos economizar.

Esses dias, estava correndo e pensando porque será que acabamos olhando pra fora para resolver o que está dentro de nós e quero dividir com vocês.

Depois que eu li o livro Sapiens – uma breve historia da humanidade, comecei a nos ver de maneira diferente. Por mais que a gente tenha se distanciado bastante e nos deixado em posição de soberania, a gente faz parte da natureza, nós somos natureza. 

Somos uma espécie animal que por diversos fatores evoluiu de maneira diferente e acabou se sobressaindo e dominando praticamente todas as outras espécies – pelo menos as que vemos a olho nu, tipo vegetais e animais.. os vírus e bactérias ainda dão um belo baile na gente vez ou outra. 

Mas.. enfim.. Como animais, parte constituinte da natureza desse planeta, que somos, também temos nossas fases, ciclos e estações. Temos fases que temos mais energia e disposição e momentos que precisamos nos recolher e ficarmos mais quietos. Mas, sinceramente, quem segue esses ciclos hoje em dia? Estamos no modo de produção total os 12 meses do ano, e reclamando porque não criaram ainda um 13 mês.

Acontece que por termos conseguido domesticar grande parte das outras espécies, além de ter criado tecnologia para prever e controlar muitas coisas antes incontroláveis, eu acho que acabamos ficando acostumados a prestar mais atenção ao exterior do que em nós mesmos. 

Passamos tanto tempo desenvolvendo tecnologias e estratégias para controlar o mundo lá fora que chegamos num ponto em que não conseguimos reconhecer o mais básico da nossa natureza humana, a maneira como nosso corpo nos dá sinais: através das nossas emoções e sentidos.

Assim, aprendemos que para encontrar respostas nós olhamos pro lado e não para dentro.

Se estamos tristes, vamos ver o que parece que faz os outros felizes. Se nos sentimos incompletos, vamos ver o que a maioria está comprando. Se nos sentimos sozinhos, compramos o drink da moda ou um hamburguer com batata frita.

Ficar em casa, sozinho, em silêncio, sentindo seus sentimentos e atento às pistas.. pouquissimas pessoas tem o costume.

Agora que temos mais tempo em casa e menos maneiras de fugir da 

Para o exercício de hoje eu quero que você lembre um objetivo que você já disse algumas vezes que tem mas que nunca conseguiu alcançar. Pode ser aprender algo novo, emagrecer, começar academia, guardar dinheiro.. o que for.

Depois que pensar nele, escreva qual o motivo que te fez escolher esse objetivo.

Ao fazer essa análise fique atento a pensamentos e frases como “por que é importante” , “porque todo mundo faz”, “porque disseram que é assim”

quando você de fato fez algo em relação a esse objetivo, quando que você largou ele e porque.

Depois de escrever isso e ouvir a reflexão que trouxe, responda agora para você:

você acredita que esse objetivo está realmente alinhado com seus valores?
Se não, será que tem algum ajuste possível de ser feito para que ele fique mais próximo?
Ou será o caso de definir novos objetivos e aceitar que você não quer realmente o que pensou que queria?

Se ele estiver alinhado aos seus valores, qual motivo fez você desistir dele até agora?Esse processo que venho falando aqui com você nessa temporada faz parte da auto responsabilidade que é fator essencial para quem busca ser melhor.

Quando você estipula seus valores baseados no que importa para você de verdade, sem interferência de terceiros, você, eventualmente, vai se tornar aqueles casos que de fora parecem milagre de quem mudou totalmente uma situação e alcançou seus objetivos, mesmo com todas as subidas e descidas que a vida tem.

Você vai parar de procurar e esperar apoio ou entendimento dos outros para começar ou continuar. 

Você não vai parar no meio do caminho porque alguém discordou ou disse que você não é capaz.

Você vai dizer nãos com uma leveza e uma certeza, que vai tirar qualquer sentimento de culpa do seu caminho.

E aqui, eu quero deixar claro, que não importa qual seja o seu valor ou o seu objetivo, ninguém tem nada a ver com isso. O objetivo é seu. E ponto final.

Não importa se seu objetivo é comprar um carro importado, ajudar todos os asilos da sua cidade, ter um corpo super magrinho ou fazer a voz das minorias ser ouvida. 

A beleza do mundo está justamente na pluralidade dele. Se todos quisessem comprar carros importados, o que seriam das bicicletas?

Se todos quisessem ajudar os asilos, como ficariam os orfanatos?

Se todos quisessem ter um corpo super magrinho, como as marcas de guloseimas iam sobreviver?

Estou usando esses exemplo e falando de forma divertida e descontraída para mostrar que o seu obejtivo individual não deve ser usado por você para catequisar ou tentar convencer todo mundo a querer o mesmo que você e nem para desdenhar quem não quer o que você quer.

Esses exemplos são para mostrar que valores diferentes, trazem objetivos diferentes.

E que quanto mais você conhece a si mesmo, mais claro você tem seus objetivos e menos tempo você tem para encher o saco dos outros que não estão no mesmo caminho que o seu.

Quanto mais você se conhece, menos ofendido ou triste você se sente se alguém está fazendo algo que você não está.

Se o seu vizinho trocou de carro pela quinta vez no ano e você viu que não tá nem aí pra carros, você vai dar a devida importância ao fato: nenhuma.

Assim como, se seu irmão decide acordar todo dia às 6h da manhã para ir para academia, come frango e batata doce e nunca mais foi em uma festa porque sonha em ter um corpo musculoso, e você não tá nem aí para ser a próxima Graciane Barbosa, você não vai fazer piada com ele e nem se sentir mal quando optar comer uma fatia de bolo enquanto ele come salada.

O seu foco não precisa e nem deve ser o mesmo dos outros. 

O que faz seu amigo, namorado, pai, tio, chefe, feliz, bem provavelmente não é o que te faz feliz. E tá tudo bem.

Aceitar isso traz uma leveza tão grande e deixa explícito um ponto tão importante: que ficar olhando pro lado além de não te deixar feliz vai te deixar mais desconectado com você, e quando você perceber você vai estar correndo atrás da mesma coisa que os outros sem nem ao menos querer o que eles querem. e assim desistindo sempre no caminho.

Um outro ponto importante, que inclusive conversei com a Fe Neute no episodio 4 dessa temporada, é a necessidade de estar sempre revendo nossos valores e objetivos.

Valores estão muito ligados a nossa personalidade, e ela vai mudando ao longo da vida. Você com 15 anos não é igual a você com 25, que não será igual a você com 35 e assim por diante. O que passamos na vida vai nos moldando, a forma como vemos o que acontece conosco vai nos moldando e o que decidimos fazer com tudo isso, também vai nos moldando.

O que você queria uns anos atrás pode não fazer mais sentido agora, e tudo bem. Se dê espaço e tempo para descobrir quais suas novas vontades, necessidades, valores e objetivos.

Fora que, é possível que depois de você se dedicar e alcançar um objetivo, você veja que quer algo a mais ou algo diferente.. e comece tudo de novo.

O ponto é: não fique olhando para fora. Só você sabe o que importa pra você. Só você sabe até onde você está disposto a ir. 

E se você ouve isso e pensa “eu não sei”, continua comigo aqui no Bocadinho… quanto mais tempo você se der, mais espaço você permitir para sentir e refletir, mais você vai se conhecer.

Mais do que ter respostas, o importante é fazer as perguntas.