O primeiro passo

Em tempos de isolamento social, porque não aproveitar e conhecer a única pessoa que vai dormir e levantar todos os dias com você?
Colocando assim, fica óbvio que essa pessoa é você mesmo. Mas é só quando falamos assim que percebemos que passamos boa parte do nosso tempo pensando nos outros, olhando pra fora e esquecendo de prestar atenção na gente.
Nesta segunda temporada do Bocadinho, eu convido você a mergulhar em si mesmo. Independente do ritmo da vida ao redor, das demandas de terceiros, das obrigações que você tem ou acha que tem, das escolhas que fez consciente ou inconscientemente, nessa temporada vamos focar só em você.
É só quando entendemos que a única maneira para mudar é focar em nós mesmos que vivemos livres, saudáveis e felizes e eu vou te guiar nessa submersão.
Independente do que te digam, você tem total poder sobre sua vida. Vamos nessa?

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Você já parou para pensar que existe só uma pessoa com quem você vai dormir e acordar todos os dias da sua vida?

Independente do que acontecer você é a única pessoa que vai estar com você o tempo todo, todos os minutos, dias e anos da sua vida.

Por mais óbvio que seja esse fato, eu passei muitos anos da minha vida me preocupando com várias outras pessoas e assim não focando em quem realmente importa: eu mesma.

A gente prioriza o bem-estar dos outros, a gente se preocupa com o que os outros vão pensar quando nos verem ou nos ouvirem, a gente se preocupa com os sentimentos das outras pessoas, mas quantas vezes a gente olha no espelho e pergunta: “o que eu estou pensando?” “o que eu estou sentindo?”

Você é seu maior inimigo e seu maior herói. 

Você nunca vai deixar de ser um e ser só o outro.

Os lados sempre vão coexistir e quão mais rápido você entender isso e abraçar a sua sombra, mais fácil você vai enxergar a potência da sua luz. 

Mas não romantize: a luz só existe porque tem escuridão. 

Nada nem ninguém evolui sem desconforto, sem dor, sem dificuldades. E é por isso que existe o bom e o ruim. O bonito e o feio. O doce e o amargo.

Sem extremos para comparar você não saberia identificar nenhum dos lados.

Ser bom envolve aceitar a inevitável parte ruim e ter maturidade emocional e conhecimento de si mesmo para transformar ela em algo bom. 

Viver bem e saudável não é nunca ter dificuldades, problemas ou desequílibrios, mas sim conviver bem com o fato de que eles sempre vão existir, por mais que você tente ao máximo para impedir que eles surjam.

A primeira temporada do Bocadinho eu trouxe um apanhado de reflexões enquanto eu estava vivendo elas. Foi uma temporada em que dividi um pouco do meu processo de questionamento quando me vi em uma realidade que não queria mas que mesmo assim não largava.

Aos poucos fui percebendo que nada ia mudar se eu não mudasse.

Em 2019 eu me desconstruí, me perdi, me excedi, mas me reconheci. Na pausa do que eu achava que devia fazer, percebi o que a minha essência me dizia, o que eu sempre fui e estava me esquecendo.

Nessa segunda temporada eu vou dividir com você mais reflexões, mas dessa vez focando só no autodesenvolvimento.

Minhas últimas leituras reforçam o que eu acredito: foque em ser melhor, estude, se aprimore, busque ter valor.

Gere seu valor interno para poder entregar valor para o mundo.

Se distancie, fique sozinho, fique quieto, se descubra para depois se reunir aos outros.

É com isso em mente que começo oficialmente a temporada 2 do Bocadinho, agora com produção da Tumpats. 

Você já parou para pensar quantas vezes a gente fica olhando pra fora, fazendo, repetindo, imitando os outros, e não questiona em nenhum momento o que de fato queremos?

Por medo de não ser aceito, por medo de ficar sozinho, por medo da rejeição, por medo de não ser amado.. assim a gente vai buscando alguém que nos ame, que nos aceite, que nos eleve, que nos proteja….. mas somos os primeiros a nos abandonar, a não nos amar, a não nos proteger.

E como é isso? Como a gente quer que o outro faça pela gente o que nós mesmos não fazemos?

Como a gente quer cobrar de alguém o que a gente nao consegue fazer?

Essa ideia de que o outro vai resolver, que a culpa é do sistema, que o governo que errou, que o médico que tinha que ter curado, que a indústria deveria ter pensado no seu bem-estar é uma romantização excessiva de um mundo utópico.

 

Por que você, o incomodado, não fez algo?

Cada dia mais eu acredito na ideia de que só conseguimos melhorar alguma coisa depois de melhorarmos nós mesmos.

Tenho percebido que quanto mais fazemos por nós, pelos nossos motivos, do nosso jeito, mais temos vontade de continuar fazendo e mais resultados vamos tendo.

Como Daniel Pink diz no seu livro “Drive: a surpreendente verdade sobre o que nos motiva”, a motivação é algo interno e não externo. 

É quando nós temos a combinação de autonomia, maestria e propósito que temos motivação para fazermos o que devemos fazer, seja isso praticar exercícios, comer saudável, dedicar tempo a quem realmente nos importa, trabalhar focado, tocar um instrumento, aprender uma nova língua, ou qualquer outra coisa.

Esses três aspectos da motivação: autonomia, maestria e propósito, são peças chaves na caminhada da vida. Ao se conhecer você ganha autonomia para decidir por si mesmo o que é melhor e importante para você.

A partir disso você vai desenhar seu próprio caminho e vai entender o que você precisa: mais conhecimento? Mais autocontrole? Mais maturidade emocional? 

Sabendo o que precisa, você vai atrás e começa. Como tudo o que fazemos, no começo é mais difícil, mas quanto mais você pratica, mais fácil fica e assim você exerce a maestria: o exercício contínuo para a melhoria.

Quando temos um desejo de fazer algo que tenha significado e seja importante, nós estamos trabalhando com propósito. 

Sua maior ferramenta pro sucesso e saúde é aprender a controlar a si mesmo. Entender os mecanismos instintivos do seu organismo e os padrões mentais da sua mente e conseguir achar o seu ponto de equilíbrio entre os dois para alcançar o que você acredita ser importante pra você. 

Quando justificamos nossa incapacidade, preguiça e insegurança olhando para fora e apontando o dedo para os outros só tiramos o foco do problema e adiamos a solução. Deixamos de olhar para o nosso caminho, nossa realidade e de ir atrás da solução para o nosso problema.

Assim vivemos relacionamentos em que achamos que a pessoa está errada porque o nosso jeito e os nossos valores são os certos. E não falo só relacionamentos amorosos, mas de trabalho, entre amigos, na família.

Julgamos os outros a partir da nossa vivência, nossa história e verdades.

E aí, quando vemos, vivemos uma frustração constante porque a pessoa não está nem aí pro que nós achamos certo, ela está vivendo a vida dela de acordo com o certo dela, não o nosso.

Acabamos nos vitimizando por inúmeras situações em que ninguém tem nada a ver com nada. Mesmo que o gatilho para a nossa tristeza, raiva, ansiedade, seja externo, ele só acordou algo que está dentro de nós, que é nosso.

Eu mesma, vivi vários anos da minha vida alimentando meu sofrimento e me sentindo coitadinho por não conseguir digerir o que todo mundo conseguia. Choraminguei porque a exposição da profissão que escolhi tem seu lado feio. Achei ruim quando minha família não fazia o que eu queria ou não entendia os meus motivos.

Nada disso me ajudou. Nada disso me fez mais inteligente, mais bondosa, mais humilde, mais empática. Nada disso me deixou mais saudável, mais feliz.

A única coisa que aconteceu quando fiz isso foi perder tempo e atrasar minha melhora.

A raiz de tudo sou eu, e nada adiantava ficar tentando podar as outras plantas do terreno em que eu estava plantada, porque tudo tinha origem em mim, e das minhas raizes iam crescer as novas folhas, flores e galhos.

Eu precisei entender e aceitar que só eu poderia fazer algo por mim. 

Que meus acertos seriam meus, assim como meus erros.

Assumir responsabilidade 100% por tudo o que envolve sua vida, entender seus valores, criar seus limites, controlar a si mesmo, questionar suas verdades, ouvir sua própria voz, é isso que eu venho buscando e é sobre isso que vamos falar ao longo dessa temporada.

Para começarmos bem, vou sugerir um exercício para você começar:

Quando esse episódio terminar, abra seu bloco de notas do celular ou pegue um caderninho a caneta e pense em 3 pessoas que você mais admira.

Escreva o nomes delas e para alguns minutos para observar quais os pontos que fizeram você escolher cada uma delas.

Escreva ao lado quais foram.

Detalhe o máximo que puder:

O que elas fazem? Tem família, trabalham? Praticam exercícios? Fazem bem aos outros? Tem alguma filosofia de vida? 

Elas tem algo em comum? 

Para finalizar, escreva 3 adjetivos que definem cada uma delas.

Esses adjetivos vão te dar pistas do que você considera importante, de quais são os seus valores.

E você já vai ter começado a sua caminhada… espero você aqui para o próximo passo.

Como sempre, espero você lá no Instagram para me contar o que achou desse episódio. Mande sua mensagem, compartilhe no seu Story, mande nos grupos do Whatsapp. É uma forma de apoiar meu trabalho e de ajudar a construir uma sociedade mais saudável e feliz.

Nos vemos no próximo, um beijo!