O poder do tempo

Você já parou para pensar por que mesmo com tanto avanço tecnológico muitas vezes a promessa de viver mais e melhor fica no meio do caminho?
Nessa terceira temporada eu vou falar sobre longevidade possível e refletir com você sobre o Poder do Tempo. Pra viver até os 100 anos tem 99 antes. Vamos nessa?

Tags: longevidade / podcast

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Viver mais, quem sabe viver pra sempre. Algo que nós, seres humanos, sempre tivemos fascínio.

Pesquisa científica, reflexões, discussões, o medo da morte, para onde vamos depois, não perder quem amamos, ter sempre a companhia deles… são tantos assuntos que envolvem a vontade de continuar vivendo.

Se você digitar longevidade no google vai ver muitos artigos, pesquisas, livros, dietas, dicas… e como grande parte dos conceitos profundos que temos, a teoria é bem diferente da prática.

E isso não é difícil de perceber.. mesmo com tanto avanço tecnológico e científico, a promessa de viver mais e melhor fica no caminho. 

Já parou para pensar por que?

Eu tive dois episódios na minha vida que mexeram muito comigo e que me levaram a um terceiro episódio, bem mais recente, que tem me transformado profundamente..

O primeiro foi quando meu pai adoeceu, há 20 anos. 

Depois de quase 4 anos lutando contra um câncer bem agressivo, ele faleceu quando eu tinha quase 16 anos.

O segundo, foi há 10 anos. 

Quando eu tinha 22 anos meu corpo começou a me dar indícios que eu estava fazendo algo de muito errado. Dores quase diárias, desconforto constante, inúmeros sintomas que os médicos não sabiam de onde ou por que surgiam.

Eu vi cedo o que a falta de saúde e um ritmo de vida acelerado podem fazer com a vida de alguém. 

Vi primeiro no meu pai, depois vi que a história ia se repetir em mim se eu não parasse e prestasse atenção ao que eu estava fazendo.

A morte se apresentou cedo pra mim e com certeza trouxe perspectivas de vida e reflexões que uma adolescente não pensaria naturalmente.

A falta de saúde se apresentou cedo pra mim e com certeza me tirou de um lugar que eu não teria saído se o desconforto não fosse tão grande.

Faz 10 anos que eu decidi que faria o que fosse necessário para ter saúde e me sentir bem. Nos últimos 8, transformei isso na minha profissão.

Hoje, aos 32, eu me sinto infinitamente melhor. Mais bonita, mais saudável, mais feliz e mais confiante.

O que me levou para o terceiro episódio, que aconteceu faz 1 ano.

Depois de um término de relacionamento, me vi vivendo com um foco exagerado em sucesso, trabalho e resultados financeiros. Com toda minha trajetória de saúde e busca de auto conhecimento, dessa vez reparei cedo que algo não estava legal.

Em poucos meses, já não me reconhecia. 

Comecei a perceber que o que falava que queria para meu futuro não estava nem perto de ser construído com o que eu fazia no meu presente. Assim, depois de uma série de coincidências e pouca razão, eu resolvi passar 2 meses na Italia. 

Enquanto eu estava lá escrevi o texto do episódio O Poder da Pausa, que se desenrolou na segunda temporada.

Com muito carinho e alegria, divido com você o tema da terceira temporada do Bocadinho… durante as próximas 12 semanas eu vou falar sobre O PODER DO TEMPO.

 

Convido você a fechar os olhos e imaginar a seguinte cena:

Dois velhinhos sadios, sorridentes, felizes com suas rugas, sentados em uma mesa de madeira. Contando sobre os filhos e netos, sobre o jardinzinho que estão cuidando, oferecendo a geléia que fizeram na semana, mostrando a cerca que arrumaram, contando sobre sua infância no interior e as brincadeiras e ideias que tinham.

Lindo, né? Vai dizer que não deu um quentinho no coração…

Mas vamos olhar pro outro lado da mesa?

Vamos olhar para quem está escutando isso…

Um jovem ou um adulto, provavelmente com seu smartphone na mão, provavelmente preocupado com diversas outras coisas, provavelmente mentalmente em outros cinco lugares, e ouvindo tudo isso pensando “que legal, também quero”.

Olha isso: sou eu e você que estamos ali, sentados na frente desses velhinhos saudáveis e animados, a prova viva do que é um envelhecimento saudável, mas estamos fazendo absolutamente TUDO diferente do que eles fizeram.

A longevidade saudável e disposta que tanto falamos e almejamos não é papo para depois.

Pra viver até os 100, tem 99 anos antes

Para quem quer viver bem e saudável, os hábitos são construídos desde já. As escolhas devem ser conscientes.

A gente olha para os velhinhos quase centenários de hoje, pesquisa o que eles fizeram e acha que imitar a dieta e alguns hábitos deles vai ser suficiente para nos levar até lá.

Esquecemos que há 100 anos o mundo era totalmente diferente. 

Quão ingênuo é da nossa parte achar que uma dieta igual a deles vai ser suficiente para algo?

E olha, não me leve a mal, eu tinha esse ingenuidade até ano passado. Quando visitei a blue zone da Sardegna e conversei com alguns centenários, conheci a historia da terra deles, visitei sitios arqueologicos, conversei com o médico deles e comi a comida deles, na casa deles.

O tempo deles não é o mesmo que o nosso. A semana que passei com eles, durou um mês. 

O que vi me fez pensar que talvez os 100 anos dos centenários de hoje seja equivalente aos 60 ou 70 anos da geração dos nossos pais. Ou aos nossos 45. 

Eles não tinham opção, a gente tem muita. 

Talvez por ter pouca opção eles tinham mais tempo para pensar, sentir e refletir. Conseguiam perceber as pessoas ao redor, a mudança do clima e da vegetação, ouviam os sinais do corpo.

Os hábitos que fizeram eles chegarem até os 100 anos, que vou aprofundar durante a temporada, surgiram muitas vezes por necessidade. Não por escolha.

Eles não comiam pouco porque queriam. Eles comiam pouca porque não tinha muito. 

Eles não comiam menos animais pq queriam ser vegetarianos e sim pq manter o bicho vivo dando leite dava alimento por mais tempo. 

Eles não andavam 10-20 km todo dia para ser fitness. Andavam pq não tinha outro meio de se locomover. 

E, sinceramente, eu não acho que esse é o preço que queremos pagar para viver 100 anos. 

Normalmente, hoje em dia, nos nossos primeiros 20 – 30 anos de vida a gente já conheceu, teve acesso e viveu muito mais do que eles em 50-60 anos.

Eu falo isso por mim! O tanto de coisas que já fiz nos meus 32 anos de vida, os centenários da Sardegna não fizeram nos 100. 

E não falo figurativamente.. eles realmente não fizeram nada do que fiz. Eu fui pra lá ver de perto. 

Alguns deles nunca foram à praia que está a 1h de distância de onde moram.

E foi assim, ao ver e conversar com eles, lembrar do meu pai e me chocar com a minha realidade dos últimos anos e da vida de vários dos meus amigos e familiares, que ficou impossível não colocar minha vida em perspectiva. 

Foi ali que percebi que a pressa que eu estava, e que é comum a muito de nós, era para quem morreria cedo, não para quem ainda teria uns 60 anos pela frente.

E foi assim que eu decidi tirar o pé do acelerador.

Eu fiquei tão chocada com a dificuldade que é trazer isso pro nosso momento atual, que até hoje não tinha conseguido reunir o material que gravei, fotografei e escrevi para apresentar para meu público.

Mas, as coisas chegam no tempo certo. E agora é a hora… a partir da minha visão, da minha vivência e dos meus estudos, vou dividir com você nos próximos episódios do Bocadinho o que eu penso sobre longevidade e como acho que podemos trazer ela para o mundo de hoje.

Como sempre, minha intenção é te ajudar a viver uma vida saudável e feliz.

Mas sem adoçar demais o que não precisa. 

O mundo tem muito amargo e azedo que são necessários para o equilíbrio e criação de paladar. Açúcar em excesso te inflama e te deixa doente. Na cozinha e na maneira de ver a vida.

O equilíbrio é a chave. E essa chave não é universal, não abre só uma porta.

Mas ela não é inalcançável. Você só precisa se preparar.. você vai ter que primeiro estudar para ser chaveiro, para depois fazer sua chave.

Ao longo dessa temporada eu vou dividir com você conceitos e reflexões importantes não só aqui, mas também no meu Instagram e Youtube. Quero que você veja o que eu vi. Quero que você tente sentir o que eu senti.

Me procura por lá, estou como Flavia Machioni. Vou adorar saber o que achou e suas percepções sobre o assunto.