Não poderia começar este meu novo espaço sem contar o que me fez chegar até aqui. Hoje, vou dividir como foi meu processo de cura da intolerância à lactose e inflamação intestinal.
Foi uma jornada longa, oito anos direto, sem contar os vários outros anos antes que já tinha me habituado a sentir desconfortos e dores quase diários.
Antes, quero dividir com você como eu enxergo a saúde. Saúde envolve dois pontos principais para mim:
Saúde física
Que para mim é:
- Não sentir dor
- Ter energia
- Ter um corpo forte
- Não ficar gripada/doente
- Conseguir digerir a comida
- Ter pelo, cabelo e unhas fortes e bonitos.
Saúde mental
Que para mim é:
- Gerenciar minhas emoções
- Conviver em paz com minhas escolhas e decisões
- Admirar o que vejo no espelho
- Me amar e me respeitar acima de qualquer pessoa
- Não esperar que as pessoas resolvam meu problema
- Ter disciplina e foco para manter os meus valores
Agora, vou dividir com você a minha visão sobre estar doente.
A doença para mim.
O corpo é uma máquina extremamente inteligente e perfeita. Ele se autoregula e em condições boas ele se mantém saudável. Portanto, a doença surge quando ele não está em boas condições.
Como escolhemos viver nossos dias, os pensamentos que temos, a maneira que agimos, o que comemos, o que sentimos, afeta DIARIAMENTE E DIRETAMENTE esse equilibrio.
Por isso, para mim, se eu sinto QUALQUER desconforto ou dor, eu automaticamente presto atenção no que CAUSOU aquilo para depois ver o que fazer em relação ao fato.
- Às vezes é uma notícia que leio
- Às vezes é algo que ouço
- Às vezes é uma lembrança que vem à mente
- Às vezes é uma palavra
- Às vezes é uma comida.
- Às vezes é uma bebida.
- Às vezes é um corpo estranho que encosta no meu corpinho (animal, objeto, pessoa).
Saúde holística ou integrativa
Essa forma de ver corpo e mente unidos quer dizer que, na minha visão, uma dor de cabeça não é só uma dor na cabeça.
É um sinal para você prestar atenção que tem algo acontecendo.
Uma dor de barriga, não é só uma dor na barriga. É um sinal de que você está colocando para dentro algo que talvez não devia, ou algo que você não sabe lidar/digerir.
RESUMINDO:
Uma doença não é algo que surge isolado e por isso JAMAIS será curada com uma ÚNICA ação.
Quais eram meus sintomas e o que tive nos últimos anos
- digestão fraca desde novinha
- me tornei intolerante à lactose
- desenvolvi disbiose intestinal
- piorou, tive síndrome fúngica (candidiase de repetição)
- piorou, meu intestino ficou hiperpermeavel (leaky gut)
- no meio tempo tive fadiga adrenal/resistencia insulinica
- suspeitou-se que eu tinha Doença Celíaca ou outra doença autoimune como fibromialgia.
Sobre minha cura:
- A minha cura começou quando eu DECIDI que não queria mais me sentir mal.
- Eu fiquei incansavelmente procurando a CAUSA dos meus problemas.
- Não foi em um mês, não foi em um ano. Foram OITO ANOS até aqui.
Agora, vou fazer uma retrospectiva com você desde a criação do meu blog, Lactose Não.
O cenário era o seguinte:

2012
2012
Depois de consultar gastro e fazer exame, descobri Intolerância à lactose. Criei o blog.
Minha vida alimentar até ali era como a da maioria: vários derivados lácteos e quase nada de comida de verdade. Podia viver de doces, pães, pizza e era o que eu mais comia.
Profissionalmente, eu não trabalhava com o que gostava, não me sentia útil nem produtiva.
Era a tipica pessoa mediana. Não me esforçava muito em nada, mas também não era extremamente ruim em nada.
Depois de consultar gastro e fazer exame, descobri Intolerância à lactose. Criei o blog.
Minha vida alimentar até ali era como a da maioria: vários derivados lácteos e quase nada de comida de verdade. Podia viver de doces, pães, pizza e era o que eu mais comia.
Profissionalmente, eu não trabalhava com o que gostava, não me sentia útil nem produtiva.
Era a tipica pessoa mediana. Não me esforçava muito em nada, mas também não era extremamente ruim em nada.
Me vitimizava muito (e não percebia).

2013
2013
Na metade do ano fui saída do meu emprego e decidi me dedicar 100% ao blog. Não sabia como ganhar dinheiro com ele, mas me joguei no empreendedorismo.
Minha alimentação continuava a mesma. Comia as vezes derivados lácteos e usava as vezes enzima lactase.
Tive uma crise muito forte no meio do ano, perdi 1,5kg em uma semana e voltei para a nutricionista.
Ela pediu que eu ficasse 1 mês sem proteína do leite e glúten enquanto fazia tratamento com probiotico + glutamina e seguia recomendações alimentares para diminuir a disbiose que eu estava.
Fiquei, melhorei.
Tentei reintroduzir gluten e proteina do leite e não consegui.
Fiquei sem consumir glúten até 2018 e sem consumir leite até 2019.

2014
2014
Viajei para NY para estudar culinária natural.
Queria abrir um confeitaria sem glúten e leite, e por isso passava dias e dias testando receitas de doces.
Por mais que fossem sem glúten e lactose, era uma quantidade muito grande de açúcar e carboidratos que comia todo dia.
Vendia produtos por encomenda, passava todos os dias na cozinha. Quando saía da cozinha, ia pro computador/celular para alimentar as redes sociais e responder comentários/e-mails.
Morava sozinha e trabalhava de segunda a segunda, sem hora para começar e nem terminar o expediente.
Juntando a rotina pesada com a ansiedade que a incerteza do meu trabalho com o blog trazia, um relacionamento extremamente instável e prejudicial com um ex doido, e falta de técnicas para gerenciar todas as emoções, minha disbiose foi piorando.
Tinha crises de candidiase constantemente, e nem sonhava que era por causa do intestino doente.
Voltei pra nutricionista que me passou tratamento com alimentação bem restrita, não aguentei 15 dias sem açúcar. Estava num estresse absurdo e não dei conta.
Continuei o acompanhamento com a nutricionista e fazia exames de sangue periodicamente.
Nada aparecia em relação a glúten e proteína do leite, mas quando tentava consumir ficava mal por dias.

2015
2015
Passei o ano todo a viajando o Brasil dando cursos.
Estava em um relacionamento novo, ele não morava no mesmo estado. Minha mãe também morava em outro estado. Ou seja, passei mais tempo no aeroporto/avião do que na minha casa, em Curitiba.
Ainda não sabia gerenciar minhas emoções e o estresse de fechar turmas em diferentes cidades, resolver todos os detalhes dos cursos sozinha e ainda manter os relacionamentos, aliada a alimentação rica em açúcar (sempre adorei doce) e minha digestão fraca, foi piorando o quadro de disbiose.
Consultei outra nutricionista que me indicou fazer o exame Vegatest – apareceu sensibilidade a vários alimentos. Lá fui eu cortar mais coisas da alimentação.
Hoje não faria nunca esse exame, que nem reconhecido pela sociedade de alergologia brasileira é, mas, na hora o desespero era tão grande que fiz e aceitei o diagnostico.
Por orientação profissional da nutricionista consumi glúten e leite por 1 semana para refazer os exames de sangue. Passei muito mal mas os resultados dos exames de sangue deram negativos, de novo.
Resolvi voltar a estudar e comecei minha formação como Coach em Saúde Holística no Institute for Integrative Nutrition.

2016
2016
Cansada de me sentir mal, no início do ano resolvi procurar mais um gastro e refazer de novo os exames.
Acho que foi o ano em que mais senti meu corpo fraco.
Eu continuava viajando muito, tanto pelos cursos que dava pelo Brasil, quanto viagens com meu ex ou para ver minha família. O ritmo era louco.
Decidi ir em um renomado gastro de Curitiba, especialista em doença celíaca. Ele me virou de ponta cabeça. Como viajava muito, os poucos dias que estava em Curitiba eu passava as manhãs em hospital/clinica fazendo exames longos, chatos, invasivos e frustrantemente inconclusivos.
Ia sempre sozinha, o que piorava mais ainda. Ao mesmo tempo me sentia muito triste e tinha raiva do médico. Cheguei a chorar no banheiro de uma das clinicas desacreditada que estava passando por tudo aquilo.
Quando ele pediu para eu consumir gluten por um mes ao mesmo tempo que queria que eu tomasse omeprazol, nunca mais voltei nele.
Não tinha condições emocionais e fisicas nenhuma para fazer o que ele sugeriu e por opção minha preferi manter minha alimentação sem glúten, mesmo sem diagnostico fechado.
Meu estresse continuava nas alturas, não parava em casa, não parava de trabalhar. Nunca tava suficiente pra mim e para melhorar tive a brilhante ideia de ir morar com meu namorado da epoca na cidade dele.
Enquanto isso, continuava estudando. Nessa epoca que comecei a ter contato com a parte holistica da saude.
Em uma das minhas aulas do curso de Health Coach aprendi sobre resistência insulínica/fadiga adrenal e vi que tinha TODOS os sintomas. Fiz o exame da curva glicêmica e deu assustadoramente alto, como se eu estivesse pré-diabética. Fiquei desesperada e procurei outro médico. Fui num endocrino famoso, me revirou de ponta cabeça.
Confirmou que estava com fadiga adrenal, disse que não era pela alimentação, mas pelo estresse. Meu estilo de vida estava me adoecendo.
Fiz tratamento e melhorei drasticamente em poucos meses.
Sobre o glúten, ele aconselhou eu me considerar celíaca e continuar sem consumir. Eu concordei.

2017
2017
A saúde tinha altos e baixos, mas comecei a perceber muito mais claramente que estava totalmente relacionada com minhas escolhas, decisões e atitudes.
O meu corpo respondia ao que eu pensava, fazia e comia.
Morando com meu namorado comecei a perceber que eu tinha muitas questões internas para resolver.
O relacionamento se mostrou algo que eu não queria, mas ao mesmo tempo eu não queria abrir mão. Fiquei lá, dando murro em ponta de faca, cega achando que ia dar um jeito.
No meio do ano eu tive uma crise horrível. Não conseguia sair da cama e tinha dor em todas as articulações, além dos incomodos digestivos/intestinais e uma fraqueza enorme.
Consultei outros médicos, e me orientaram a manter a alimentação restritiva como estava.
Melhorei pouco e estava muito cansada dessa abordagem de restrição.
Decidi estudar mais ainda e não me dei por vencida. Não era possível que eu tão nova tinha que passar por tudo aquilo sendo que não me sentia tão doente quanto queriam que eu acreditasse.
Decidi pegar pesado na unica area que ainda não tinha mexido suficiente: comecei a fazer terapias, várias.
Vi que se não trabalhasse minha cabeça nunca ia ficar bem.

2018
2018
Foi o ano mais difícil que tive, pessoalmente.
Meu relacionamento estava péssimo, eu me vi em uma situação que jamais teria entrado se eu me amasse de verdade, mas eu decidi que eu só ia sair depois de entender porque eu estava fazendo aquilo comigo. Nunca me senti tão sozinha na vida. Tinha uma casa linda e vazia de afeto, foi horrível.
Dediquei meu ano a terapia. Cutuquei todas as feridas e foi muito, muito, muito dolorido. Muito mesmo.
Meu corpo estava extremamente sensivel. Volta e meia eu tinha sensação de ter febre, mas nunca chegava a ter febre de fato.
Comecei a perceber que certos lugares e pessoas me davam, literalmente, calafrio.
A digestão seguia o mesmo padrão: as vezes conseguia digerir na boa, às vezes ficava parado lá, incomodando.
Mas a terapia foi surtindo cada vez mais efeito. Eu fui ficando tão, mais tão forte, que tive coragem de abrir as investigações de doença celiaca de novo. Consumi glúten por um mês, segui todas as recomendações da médica. Para minha surpresa não senti nada.
Refiz os exames e só o genético deu positivo – que não é suficiente para fechar diagnostico.
Biópsias negativas, sorológico negativo, sintomas negativos. Ela me liberou a voltar a comer glúten.
Foi uma libertação. Sai do consultório e fui direto comprar um pão francês na padaria da esquina. Comi ele quentinho no carro, e fiquei muito feliz e orgulhosa de mim.
No mesmo mês fui trucidada pelos seguidores por um publi post que não gostaram. Fiquei triste, mas mais que triste eu fiquei puta com a maneira desrespeitosa que me trataram por causa de um erro.
Decidi que não precisava lidar com gente que ia do amor ao ódio por mim em menos de 30 segundos e ali vi que aceitava tratamento abusivo não só dentro de casa, mas tb no trabalho e de mim mesma.
Ficou extremamente claro pra mim quais eram meus novos limites. Eu estava finalmente me amando de verdade.
Em menos de seis meses eu me separei. A sensação de alivio foi inexplicavel. Quando minha mãe me pegou no aeroporto em Curitiba eu chorava de soluçar, um choro que saía do coração e que eu não lembrava de ter sentido algo assim. Era um choro de alivio, de libertação, foi chocante.
Eu não quis nem voltar pra minha casa antiga pegar minhas coisas. Eu não queria nunca mais me sujeitar a nada perto daquilo.

2019
2019
Foi o primeiro ano em que eu, finalmente, não tive nenhuma queixa digestiva!
Vim pra SP, sozinha, e organizei minha nova vida.
Obvio que por mais que eu estivesse certa e aliviada, foi muito dificil lidar com o fim. Se separar, vender apartamento, resolver mudança, falar de dinheiro é desagradavel. Fora que foram anos de muita dedicação, entrega e eu estava muito esgotada. Muito mesmo.
Mesmo esgotada, eu me sentia muito forte. No dia do término do meu relacionamento, fui comer uma pizza com uma amiga. E foi nesse dia que voltei a consumir lácteos.
Não senti nada, e continuo sem sentir.
Para não pensar muito, resolvi me afundar no trabalho, de novo. Morando sozinha, em SP, é fácil se afundar no trabalho.
Mas, autoconhecimento é um caminho sem volta… e eu sabia que eu não ia aguentar essa fuga de mim mesma por muito tempo.
Antes de ter um surto completo, eu resolvi que precisava de um tempo pra mim.
Dividi parte disso com vocês, e principalmente no Bocadinho.
2019 foi um ano de morte e renascimento, e como todo renascimento, estou ainda entendendo quem é a nova Flavia… mas isso é papo para outro momento 🙂
Sobre o meu tratamento:
O tratamento só começou a surtir efeito mesmo quando eu aliei alimentação com mudança de comportamento, gerenciamento de estresse e autoconhecimento.
Eu não refiz exame de intolerancia à lactose porque claramente eu consigo digerir leite e derivados agora, não vejo necessidade alguma de refazer o exame.
Como você viu, eu NUNCA tive diagnóstico clínico de doença celíaca.
E nenhum exame acusou qualquer intolerancia ao glúten, nenhuma vez.
PONTOS CHAVES DA MINHA MUDANÇA
- Quando eu parei de me vitimizar
- Quando eu decidi que não ia mais viver baseada em restrição.
- Quando eu aceitei que o problema não era o glúten, o leite ou o açúcar, era EU.
- Quando eu percebi que as decisões sobre a minha saúde deveriam ser tomadas por mim.
- Quando eu decidi que eu iria atrás do que fosse necessário: conhecimento, ajuda, tempo, espaço.
Se hoje eu como glúten e leite é por mérito unico e exclusivamente MEU.
Eu que, depois de, sem consciencia, enfraquecer minha digestao, intestino, resolvi cuidar dele.
Eu que aguentei todo o tranco, eu que tomei as boas e as más decisões, eu que lidei com o que elas trouxeram.
Eu que não desisti mesmo estando cansada, com dor, de saco cheio.
Eu fui atrás de conhecimento, eu fui atrás de profissionais para me ajudarem.
Eu cozinhei minha comida.
Eu ganhei meu dinheiro.
Eu banquei TUDO – decisões, erros, acertos, vitórias, derrotas, boletos.
Eu fiz tudo sozinha, mas só dei conta porque eu tive e tenho apoio de excelentes profissionais de saúde fisica e mental, de nutrição e dos meus amigos e família, que aguentaram tudo comigo, enxugaram as milhares de lágrimas que eu derramei, me acolheram quando eu precisei, me amaram quando nem eu conseguia me amar.
Os 4 pilares da minha cura
- mudança na alimentação
- saúde do intestino/digestão
- gerenciamento de estresse/ansiedade
- autoconhecimento
E são esses pilares que eu uso para formatar todo meu trabalho aqui. Porque eu sei o inferno que é passar por tudo isso, mas eu sei também que DESISTIR NÃO É UMA OPÇÃO.
Meu maior objetivo DA VIDA é mostrar para você que a cura de qualquer doença está nas suas mãos.
Existem ferramentas, técnicas, tecnologia, profissionais, exames, remédios, tratamentos que vão te ajudar no processo.
Mas SÓ VOCÊ pode fazer isso por você.


Obrigada faby!!
Olá Flávia, não conhecia seu trabalho, recebi uma receita sobre ovos e purê de maçã e continuei assistindo. Então vi sua trajetória. E me senti em casa, minha trajetória tem muitos pontos similares aos seus ao longo da minha jornada de anos… eu tb me curei de doenças como cisto ovariano, gastrite, endometriose entre outros com um caminho similar…busca do equilíbrio, corpo, mente e espírito. Muito lindo seu depoimento!!!gratidão!