A descoberta da minha gravidez

pregnant girl

No dia 25 de dezembro de 2021 descobri que não habitava mais sozinha o meu corpinho e hoje vou dividir como foi a descoberta da minha gravidez.

Eu sempre tive pra mim que saberia quando estivesse grávida. Imagina que não ia sentir que tinha alguém dentro de mim… mas a verdade é que eu já estava de 7 semanas quando descobri. 

Não porque não estivesse sentindo nada de diferente, bem pelo contrário.. eu estava extremamente sensível (física e emocionalmente), tinha enjoo e azia praticamente o dia inteiro, uma necessidade de ficar quietinha. Ou seja, não estava no meu normal.

Mas, para quem tinha recém feito uma cirurgia, achei que fazia parte do momento.

Uma cirurgia é algo grande, mesmo quando pequena, não é? Precisava dar um tempo pro meu corpo se adaptar. O problema é que o tempo passava e eu piorava em vez de melhorar. E eu fui ficando triste e preocupada. Como que eu estava cada dia pior? Eu que me cuido tanto, tenho uma boa saúde.. o que estava acontecendo que não passava?

A cirurgia

No dia 27 de novembro voei para o Brasil para me preparar para minha cirurgia de explante de silicone no dia 7 de dezembro.

Chegando no Brasil a cirurgia foi transferida para o dia 4. Eu já estava com quase todos os exames prontos, precisava só fazer mais alguns de sangue e um novo Beta HCG – o exame que acusa gravidez.

Já tinha feito um no meio de novembro e faria mais um perto da cirurgia pois é o procedimento.

O resultado veio dentro do normal para não-grávida. 

Eu nem me preocupei com o resultado, porque não achava que corria o risco e seguimos o plano.

A cirurgia foi um sucesso! Foi um procedimento relativamente simples, só tiraram a prótese e costuraram o músculo (ela estava por trás dele). 

Durou poucas horas, não perdi muito sangue. Nos dias seguintes à cirurgia foi tudo tranquilo: recuperação boa e eu cada dia me sentindo melhor. 

Acabei nem tomando antibiótico porque tive uma reação à pomada que passaram no meu olho por causa da sedação e o médico disse para suspender outras medicações (eu tinha tomado 1 comprimido até então). Não tive muita dor, então só tomei dipirona poucas vezes.

Uma semana depois eu estava ótima. 

Dez dias depois eu estava ruim, e fui piorando com o passar do tempo.

Minha menstruação era para descer no dia da cirurgia, mas com o procedimento e medicações era “normal” atrasar.. 

Os dias passando e eu me sentindo cada vez pior 

No dia 24 de dezembro mandei mensagem pro meu médico e ele perguntou se eu tinha menstruado. Eu disse que não, ele pediu para eu fazer teste de farmácia.

Comecei a pesquisar sintomas de gravidez, à tarde tive enjoo pelo perfume do meu marido e dormi a tarde toda… liguei os pontos e comecei a acreditar que poderia ser real, eu poderia estar grávida. 

Não tive coragem de fazer o exame. Era véspera de Natal, íamos ver toda a família depois de 2 anos e não ia conseguir fingir normalidade.

Passei mal durante a ceia toda.. enjoo sem fim, cansaço que não dava conta, azia e o corpo extremamente sensível.

No dia seguinte, acordei e fiz o teste. Mal encostou na urina e os dois risquinhos apareceram. 

O resultado positivo

Diferente das reações em filmes e vídeos do youtube, eu não chorei logo de cara ou dei pulinhos. Eu fiquei em choque. Fui pro sofá, abri o google e fiquei pesquisando a eficácia do teste. Depois fiquei mais uns 20 minutos lendo a bula (que é uma folha frente e verso).

Acordei meu marido e contei pra ele: “acho que to gravida”. Ainda não estava entendendo, acreditando, processando.

Aquele momento em que você vê que não está mais sozinha no seu corpo

Dali pra frente o processamento foi acontecendo aos poucos.

Fiquei aliviada que meu mal estar não era algo ruim, uma doença, inflamação ou sabe-se lá o que.

Ao mesmo tempo fiquei desesperada pensando:

  1. Meu deus, eu fiz uma cirurgia grávida!!!!!
  2. Meu deus, eu vou ser mãe!!!!

Eu e meu marido queríamos ter filhos e falávamos nisso. A gente falava que “começaríamos a tentar” (seja lá o que isso quer dizer já que fazer o que faz nenéns a gente já fazia…) no meio de 2022. Assim teríamos um tempinho para curtir só nós dois, quem sabe sair de lua de mel já que casamos e mudamos de país no meio da pandemia.

A gente queria ter filhos, eu queria.. mas foi um choque. 

Não era a sequência de fatos que eu tinha imaginado e sempre que a vida mostra que nosso tempo não é o tempo dela, não tem como a gente não se sentir perdido. Não tem como não se perguntar “mas justo agora? Eu tinha outro plano”.

A complexidade dos sentimentos incontroláveis

Durante meus primeiros meses grávida pude constatar de forma ainda mais clara algo que eu já sabia:

Por trás de todo elogio, conselho, aviso, dica, repreensão, acolhimento, está o que a pessoa é/acredita. Não tem nada a ver com você. 

As pessoas falam e reagem a você a partir do que elas pensam e acreditam. A famosa projeção.

Digo isso porque além do mal estar físico constante que eu senti durante mais de três meses, eu também lidei com o mal estar emocional de estar digerindo a super novidade e ao mesmo tempo ver algumas pessoas próximas a mim não entenderem e validarem o que eu estava sentindo.

Como se não fosse aceitável eu sentir algo além de muita felicidade e gratidão.

Claro que uma nova vida chegando é algo muito feliz. Pelo menos no nosso contexto, um casal com relacionamento saudável e condições para criar essa nova vida. Estava “tudo bem”, claramente.

Mas isso não invalida o que eu estava sentindo além da felicidade e gratidão pelo nosso neném. E com tudo isso que passei eu conseguir extrair alguns fatos:

O bem-estar emocional se torna muito mais difícil de ser alcançado quando estamos com dor e desconforto constante. 

Além de estar em pós cirúrgico e no início da gravidez, ainda peguei Covid entre Natal e Ano Novo. Meu corpo estava num estresse altíssimo e eu sentia isso o dia todo, durante vários dias. Dor e desconforto quase 24 horas por dia.

Ao mesmo tempo, estávamos contando para nossos familiares e amigos próximos sobre a notícia e nos emocionando e ficando cada vez mais felizes com o fato de que seríamos pais.

Mas a carga física estava tão alta que o bem-estar emocional durava muito pouco e por vários dias eu estava mais triste e apática do que feliz e grata.

Essa amostra da vida expande pra vida em geral: se você sente dor e desconforto constante, vai ser mais dificil aproveitar a vida com alegria e leveza. Portanto: invista na sua saúde sempre que possível. Tenha hábitos saudáveis!!

É extremamente possível e normal você sentir coisas “boas” e “ruins” ao mesmo tempo. Uma não invalida a outra e os outros não precisam validar o que você sente para ser real.

Isso não vale só para grávidas, vale para qualquer pessoa em qualquer fase da vida.

Não vamos esperar validação dos outros para sentir que somos normais ou que tudo bem sentirmos o que sentimos.

Sabe por que? Porque a grande parte das pessoas não acha que está tudo bem sentir coisas “ruins”. A maioria das pessoas morre de medo de sentir algo ruim e assim ficam se enganando fingindo que está tudo bem. Fingem pros outros que “passou”, “não foi nada demais”, e varrem pra debaixo do tapete.

Até a hora que a sujeira embaixo tá tão grande que você tropeça, cai de boca e daí machuca mesmo.

Ou seja, se eu não trabalhasse constantemente no meu autoconhecimento, eu poderia começar a achar que estava errado eu sentir o que estava sentindo e em vez de falar com pessoas que me acolhem e entendem, eu ia me fechar e fingir que estava bem. E segundo as psicólogas autoras do livro “What no one tells you about pregnancy” é justamente nesses casos que a depressão gestacional ou pós parto tem mais chance de acontecer. Quando não normalizamos e falamos sobre.

Sentir tristeza, raiva, medo é normal! Não tem nada de errado com você. E se qualquer pessoa próxima a você falar qualquer coisa que faça você sentir como se tivesse, ignore o que foi dito e se preserve. Saiba que essa pessoa, nesse momento, nesse contexto, não tem como te acolher e tudo bem.

Como ela reage a situação diz sobre o que ela pensa e acredita, não é a realidade de ninguém a não ser dela.

O conselho que dei a mim mesma

Encerro esse primeiro texto sobre gestação com a dica número 1 que tenho dado a mim mesma desde o início:

A única pessoa que realmente importa nesse momento sou eu.

Eu valido o que eu sinto, eu me acolho quando preciso, eu respeito minhas mudanças, eu estou aprendendo a me amar cada dia mais – com todas as mudanças, dificuldades, alegrias e descobertas que estou tendo o privilégio de vivenciar (mesmo nos dias que penso que é mais um castigo do que presente).

Eu sou responsavel por buscar apoio nos lugares e pessoas que mais ressoam comigo. E também sou responsável pela limpeza de ideias e palpites que não ressoam.

Tem sido uma fase muito intensa e ter esse principio como meu guia tem me feito muito bem – do meu jeito, no meu tempo!

Por isso, não posso deixar de agradecer a mim mesma por todo o tempo que dediquei e dedico a mim, meu autoconhecimento, saúde e bem-estar nos últimos anos.

Sei que estive e estou criando um verdadeiro tesouro interno (hoje dois??) e hoje sei que posso confiar em mim, no meu corpo e lembro sempre disso quando os momentos (ou dias) ruins chegam.

Meu conselho pra você que me lê, sendo gestante ou não, se você ainda não faz seu autodesenvolvimento e saúde como sua prioridade número 1, comece já! 

Aqui é uma das possibilidades para começar 🙂

Nos próximos dias divido mais sobre esse momento tão único e transformador!

Um beijo,

Flavia.

5 thoughts on “A descoberta da minha gravidez

  1. Carolina Garcia says:

    Nossa, que texto importante! Tocou fundo aqui! Obrigada pela partilha! Muita saúde e felicidade pra vcs ❤️❤️❤️

  2. Geise says:

    Muito legal ler tudo isso … passei por sentimentos difíceis no início da segunda gestação, estávamos tentando, mas o turbilhão de hormônios mexeu demais com as emoções, muito diferente da primeira, que foi um sossego.

    Obrigada por compartilhar! Amei saber da notícia e ler sobre como foi para vc.
    Um abraço

  3. Lis says:

    Parabéns Flávia! Te acompanho faz tempo no insta e sempre admirei sua franqueza e autenticidade. Com certeza não seria diferente na sua gestação! Há muita romantização por aí que não leva a lugar nenhum. Temos mesmo que acolher nossos sentimentos e lidar com eles da melhor maneira possível. Estive grávida na pandemia e foi um misto de sentimentos e também passei mal no 1o trimestre. Desejo que daqui em diante só melhore. E sobre autodesenvolvimento e autoconhecimento: com o filho “aqui fora” é ainda mais importante. Confiar em si mesma é fundamental pra peitar os desafios que aparecem. Desejo uma jornada tranquila e rodeada de amor pra vocês. ?

  4. Simone says:

    Flávia que alegria! O tempo de Deus as vezes nos pega de surpresa mesmo, mas você é uma pessoa dedicada e iluminada e já está tirando de letra e nos deixando ensinamentos! Desejo muita saúde e felicidade à você e sua “nova ” família!! Grande beijo!

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