Depois de contar como foi a descoberta da minha gravidez, vou contar como foi meu primeiro trimestre.
Cada corpo é um corpo e na gestação isso é muito importante lembrar porque eita fase para a gente se comparar e buscar referências né?
Eu sei que provavelmente você que me lê aqui está justamente buscando referências e espero que encontre aqui algo que te conforte de alguma forma, mas lembre que cada gestação é uma gestação! Você pode sentir algo semelhante a mim, nada semelhante a mim ou muito semelhante a mim.
Lembre-se apenas do conselho do post passado que é meu lema e pode ser o seu:
A única pessoa que importa nesse momento é você mesma.
A descoberta e as primeiras semanas
Como contei, eu descobri minha gravidez com 7 semanas e com oito semanas fiz o primeiro ultrassom.
Fiquei MUITO aliviada quando vi o nenénzinho com o coração batendo e parte do meu mal-estar emocional, que comentei aqui, foi embora naquele momento que vi que ele estava bem!
Apesar disso, meu mal-estar físico permaneceu até mais ou menos 16 semanas, que foi quando os enjoos diários e constantes sumiram e a azia também!
Mudanças no corpo
Antes mesmo de saber que estava grávida eu comecei a perceber mudanças no meu corpo.
Meu peito estava muito sensível e cada vez maior.
Eu já percebia uma leve protuberância na parte baixa da barriga – algo que talvez só eu estivesse percebendo, mas como meu corpo não mudava muito há vários anos, eu percebi rápido.

Mudanças no metabolismo
Outra coisa que percebi logo de cara foi como minha energia e disposição eram muito menores!
Eu sempre fui muito ativa, com bastante energia e fazendo mil e uma coisas.. nos primeiros três meses eu simplesmente não conseguia!
Nem ler livros!!! Era difícil me concentrar e me manter ativa fisicamente. Isso foi algo muito frustrante, não vou negar.
Eu sentia bastante cansaço e sono também. Nessa fase era super normal para mim tirar cochilos (alguns de mais de 2 horas!).
Meu fôlego reduziu bastante e a respiração ficou mais ofegante.
Minha pressão, que sempre foi mais para baixa, durante a gestação está ainda menor, o que contribui para me sentir mais molenguinha e sem energia.
Outra coisa que demorei para entender foram meus novos parâmetros de fome.
Eu comecei a ter fome mais constantemente do que estava acostumada e sentia que ela crescia muito rápido. Algumas vezes comecei a passar muito mal de fome e precisava parar tudo o que estava fazendo para comer.
Algo que antes levava uns 40 minutos 1 hora para progredir, mudava em 10 e eu ficava perdidinha!
Mudanças no paladar
Meu primeiro trimestre foi quando mais senti mudança no paladar!
Só de pensar em comida me dava ânsia e alguns cheiros como café ou ovos eu não conseguia nem sentir.
Não bebi café por alguns meses porque me dava ânsia e os ovos, depois de algumas semanas, comecei a me esforçar para comer porque tem nutrientes muito importantes pro desenvolvimento do feto.
Eu só não podia fazer eles ou sentir cheiro, então meu marido preparava e eu comia com garfo e faca para não ficar tão perto do nariz kkkkkk
Fora isso, eu percebi que achava tudo muito mais doce que o normal.
Durante os primeiros meses estávamos no Brasil e fomos em algumas festinhas. Não conseguia comer um brigadeiro inteiro de tão doce que achava – e era um doce diferente, tipo “ardido”.
Outra coisa, como eu tinha muito enjoo, as comidas que mais me apeteciam ou “desciam” eram os carboidratos.
Coisas como massas, sanduíches, pães, era o que mais eu tinha vontade de comer e o que menos me dava ânsia ou enjoo depois.
Desejos
Eu tinha muito desejo por queijo! Sanduíche tipo queijo quente era o que mais queria comer, no pão integral, com manteiga e na sanduicheira.
Teve um dia que pedi um pastel de pizza na feira e meu marido ficou chocado kkkkkkkk

Além disso, também tinha vontade de comer coisas mais cítricas e salgadas, tipo guacamole com bastante limão e sal ou azeitonas.
Sal é outra coisa que comecei a colocar mais, queria coisas salgadas.
Que eu lembre foi só isso!
Mudança emocionais
Essas foram grandes!!
Nas primeiras semanas estava muito sem paciência com amigos e família. Também tive alguns episódios em que explodi com meu marido.. tive reações bem grandes a coisas bem pequenas.
O que achei mais curioso é que eu conseguia perceber que estava exagerando na reação mas não tinha controle nenhum sobre.
Trouxe o assunto pra minha terapia, porque estava achando muito estranho meu comportamento, li livros que falavam sobre isso e constantemente conversava com meu marido sobre o assunto para meio que combinar o que deveria ser feito nesses momentos – no caso, ele perceber que era um daqueles momentos e não engajar muito na conversa até que eu me acalmasse.
O suporte dele foi e tem sido muito importante!!!
Outra coisa que também percebi é que meu estado emocional está muito ligado com o físico. Todas as vezes em que tive essas explosões eu estava muito cansada -por diversos motivos.
Prioridades e limites
Os primeiros três meses da gravidez nós ficamos no Brasil, sem rotina, sem nossa casa, pulando de lugar em lugar. Reunindo isso ao meu mal estar constante, eu estava muito, muito, muito cansada e eu só percebi que estava além do meu limite no dia em que literalmente desmaiei.
Graças a deus não foi nada demais (uma combinação de pressão baixa, calor e cansaço), mas foi um mega alerta para eu entender que meus limites físicos eram bem outros.
Priorizei ainda mais meu descanso e os momentos de explosão emocional diminuíram drasticamente.
Além disso, tenho percebido que estou muito mais sensível que o normal. Sensível no sentido de sentir mais.
Pessoas e situações que antes eu até aturava, hoje em dia não to tendo a menor condição. Meus limites estão mais definidos ainda e tenho respeitado eles acima de tudo.
Digo NÃO quando não quero e isso tem sido muito, muito, muito importante para meu bem-estar e saúde.
Exercícios físicos
Assim que tive alta da cirurgia eu voltei a me exercitar (na verdade um pouco depois por causa do Covid).
O batimento cardíaco durante a gestação fica muito alterado e não pode ultrapassar 150bpm. Para mim, sem estar grávida, chegar em 150 bpm era muito difícil. Mesmo quando dava tiros na corrida ou fazia treinos mais pesados como no Crossfit.
Hoje, bicicleta ou fazer polichinelo faz meu batimento chegar a 150bpm rapidinho.
Portanto, eu contratei um personal trainer para me acompanhar durante minha gestação. Escolhi meu primo (Erick Zaze), que além de um excelente profissional educador físico e nutricionista é alguém que eu confio muito.
Meus treinos são ótimos, com foco em força, mobilidade, um pouco de cardio e estou super feliz de não ter parado.
Além disso, tenho feito Yoga online com minha professora Julia Foletto que tem adequado a prática a meu novo momento e tem sido absolutamente especial! Foi onde consegui me conectar com a neném pela primeira vez e sentir ela mexer também.
Exercício físico é algo que me faz muito bem!! É seguro e recomendado na gestação 🙂
Fisioterapia pélvica
Algo que também fui atrás logo no início (+- com 11 semanas), foi a fisioterapia pélvica.
Eu já estava fazendo exercícios para assoalho pélvico há alguns meses, mas queria uma orientação mais adequada ao momento.
O assoalho pélvico são os músculos que sustentam útero, bexiga, anus, quadril, etc. Como todo músculo, com o passar da idade ele enfraquece se não for usado/fortalecido.
Durante a gestação, com o aumento significativo de peso na região (nenem, placenta, útero, órgãos) essa musculatura pode afrouxar bastante – independente se você tiver parto vaginal ou fizer cesárea!
Quem aí já ouviu falar que grávida ou mamãe espirra e faz xixi? Ou que não consegue mais correr ou pular sem ter escape? É por isso.
Uma forma de amenizar ou até evitar por completo esse incômodo, é através da fisioterapia pélvica.
Além disso, ajuda muito para o preparo do parto vaginal – que sabemos que nem sempre é possível, mas se tem formas de estar mais preparada porque não, né?
Reflexões que tive nessa fase:
- O corpo manda. Se tinha alguma dúvida que a sabedoria do corpo é maior que a nossa, não tenho mais. Ele faz o que ele precisa fazer e vai avisando, se você não entende ele acha um jeito de fazer você fazer o que ele precisa – no meu caso, comer o que ele pede e descansar quando ele precisa.
- Estamos sempre em mudança – e na gestação essa mudança é muito mais visível e frequente. Em um dia você está bem e consegue fazer x e y. No dia seguinte é simplesmente impossível. Respeitar esses ciclos sem julgamento e com leveza ajudam demais.
- As respostas estão dentro. Eu sei que é clichê, mas na gestação, se você sabe ouvir seu corpo, ele vai te responder absolutamente tudo. Durante a vida também.
- Desenvolver e fortalecer confiança em si mesma é fundamental. Para a vida, mas na gestação é inegociável.
Livros que li no período:
Real food for pregnancy.
Assim que soube que estava grávida quis saber quais eram as recomendações atuais baseadas em evidências científicas sobre alimentação pré natal. Esse livro é o que escolhi me basear e recomendo a leitura para todos!
Mais esperto que o diabo.
Não tem nada a ver com gravidez, mas eu decidi que não leria apenas sobre ela. Eu quis continuar com minhas leituras sobre autodesenvolvimento, psicologia e autoconhecimento.
Esse livro é fantástico!!! Recomendo muito também.
A morte é um dia que vale a pena viver.
Apesar do título, ele é sobre a vida, e eu amei! Um livro forte, emocionante e profundo. Eu chorei bastante nele e mexeu comigo, mas foi uma carga aceitável para meu momento 🙂
Se tiver interesse, clique aqui para assistir o TED Talk da autora, a médica Ana Claudia Quintana.
Por hoje é só!
Confira mais dos meus posts sobre minha gestação clicando aqui.
Bjs!

