Continuando a série de posts sobre minha gestação, hoje vou dividir como foi o segundo trimestre.
Foto tirada pela minha amiga Maria Fernanda quando estava com 20 semanas.
Para mim foi quando eu comecei a ver mesmo que estava grávida. Depois de 16 semanas de muito mal-estar e fraqueza, mas ainda com pouca barriga (parecia que tinha exagerado nas férias só), no segundo trimestre meu corpo já parecia bem mais de grávida.
De novo quero lembrar que minha intenção com esses textos é dividir informação (além de registrar uma fase tão única na minha vida para poder ler e reler depois).
Evite se comparar e leia minha experiência com coração aberto, lembrando que estou falando sobre mim aqui – e não trazendo verdades absolutas sobre a gravidez.
Mudanças no corpo
Como disse, no segundo trimestre ficou bem claro que estava crescendo uma pessoinha dentro de mim.
Minha barriga cresceu bem – teve semanas que ela crescia mais que as outras. Além disso, meu peito, coxas, quadril e braços também cresceram.
Ouvia direto que quando engravidasse ia ser só barriga, bom, não é o que acontece! kkkk
E isso é algo que me fez refletir, como até nesses momentos as pessoas acabam dando opiniões e fazendo comentários que podem gerar expectativas e, claro, frustrações.
Meu ponto aqui não é se o que foi falado foi de forma positiva ou negativa, só que esse costume de falar sobre o outro baseado no que achamos é algo normalmente bem dispensável.
Mais sobre essa reflexão, você pode conferir aqui neste episódio do Bocadinho, meu podcast.
Mudanças no metabolismo
Com certeza no segundo trimestre eu recuperei um pouquinho da minha energia.
Apesar do fôlego ainda estar totalmente diferente e minha pressão permanecer baixinha (8 por 6), consegui ser mais ativa e ter energia para isso.
Ainda assim, tive dias com mais sono e respeitei. Mesmo quando tinha outros planos, eu deixava de lado e dormia a hora que fosse.
Segui a filosofia que me propus desde o começo: meu corpo sabe melhor. Se ele pede, eu obedeço.

Sintomas diferentes
No segundo trimestre eu tive alguns sintomas diferentes.
Logo no início (13/14 semanas) comecei a ter uma reação alérgica no rosto, perto da boca, queixo e nariz. Ficou meio avermelhado até começar a usar uma pomada indicada pela minha médica aqui de Toronto.
Ali por 16-17 semanas comecei a suar muito! Não tinha cheiro nenhum, era só água. Mas foi bem incomodo!
Tinha que trocar de camiseta umas 2-3x por dia (eu quase nunca suo, foi estranho! kkkk).
Não estava calor aqui nem nada, mas segundo a médica é possível acontecer pelos hormônios, maior atividade circulatória, etc. Depois de mais ou menos um mês passou.
Mudanças no paladar
Estando de volta em casa e conseguindo ter mais rotina, os desejos praticamente sumiram.
A vontade de queijo foi diminuindo gradativamente e tive poucas vontades – em sua maioria frutas ou sopa (kkkk pois é).
Eu que não sou muito fã de carne vermelha, me vi tendo mais vontade de comer ela a frango ou peixe. Peixe, na verdade, é algo que tenho tido pouquíssima vontade
Mudanças emocionais
Acho que a maior mudança que senti foi passar do medo, receio e frustração por estar constantemente me sentindo mal fisicamente, para a emoção de estar gerando uma vida dentro de mim.
Escrevendo isso eu só penso quão clichê é (eu ouvia grávidas falando isso e pensava “não é possível que mesmo com tudo o que acontece elas se sentem assim de verdade!”), mas confesso que entrei nesse time!
Sentir ela mexendo, ver ela crescendo a cada ultrassom e acompanhar o que está acontecendo com ela semana a semana (por aplicativos), é algo muito emocionante.
Tipo, você tá vivendo seus dias “normalmente”, mas seu corpo está formando um ser humaninho!!!!
Achei muito curioso quando me vi tendo esses sentimentos de amor e carinho “do nada”. Lembro até que o dia que vi quantos dias ainda tinha com ela na barriga (algo em torno de 120) eu pensei “ai, só?! mas depois não vai ser só eu e ela. Ela não vai mais fazer yoga comigo”.
E se você leu meu post sobre a descoberta da gravidez pode ficar tão surpresa(o) quanto eu com essa reação!!! kkkkkk
Minha alimentação e apetite
Logo no início da gestação, li esse livro e baseado nele fiz alguns ajustes na minha alimentação.
Fiz caldos de ossos usando pedaços de carne ou frango com gordura, ossos, cartilagem. Esse caldo fica bem rico e é excelente para ajudar no crescimento do neném, além de ter benefícios comprovados na saúde intestinal.
A partir dele fiz várias sopinhas para jantar.
Retomei o hábito de tomar suco verde todas as manhãs e inclui uma colher de chá de psyllium nele para aumentar o aporte de fibras – o intestino pode ficar mais preguiçoso na gestação.
Comprei também um suplemento de proteína sem sabor em pó.
Fora isso, tudo se manteve bem parecido com o que era: verduras, frutas, proteínas, carboidratos (pão integral no café da manhã, raízes ou arroz ou macarrão no almoço/jantar), sopas e cremes, bolinhos feitos em casa e alguns chocolates ou cookies comprados fora.
Comi pizza, hambúrguer e batata frita alguns dias também e mais pro final do segundo trimestre (semana 22 +-), comecei a sentir que devia maneirar um pouco nessas guloseimas.
Sobre meu apetite, alguns dias tinha bem mais fome que outros. Mas de forma geral, não senti fomes grandes como imaginei que sentiria e também não aumentei tanto a porção das refeições.
O que mudou é que como mais vezes ao dia, antes comia normalmente 3x e estava bem, hoje preciso fazer lanches entre as refeições.
Exercício físico
Mantive minha rotina de exercícios do início da gravidez e inclui mais caminhadas. Como meu último trimestre vai ser no verão, tenho uma preocupação de conseguir estar bem para carregar o barrigão.
Meus treinos são focados em força muscular e alongamento, pensando no peso da barriga que ainda vai aumentar e na minha vontade de permanecer ativa e me sentindo bem. Quem continua me acompanhando é o Erick Zaze.
Comecei a nadar também, umas 2 a 3x na semana. Tem sido tão gostoso!!! Um momento que me sinto bem leve, zero peso na barriga e é muito relaxante (apesar que depois fico cansadinha).
Continuei com o Yoga duas vezes por semana e minha professora querida, Julia, foi ajustando cada aula para a barriga crescente e as mudanças do corpo.
Tem sido um momento super especial!
Continuei com meus exercícios diários de fortalecimento do assoalho pélvico e fui em duas consultas com a fisioterapeuta, que ajustou os exercícios para aumentar a complexidade e fortalecer mais.
Tive incômodo e dores na lombar por alguns dias (ali pelas semanas 21-22), mas passou.

Sono
Por enquanto tudo normal! Tenho dormido bem na grande maioria das noites.
A barriga não incomoda e não acordo muito para fazer xixi, algo que achei que aconteceria mais, mas por enquanto está bem OK.
Nas últimas semanas do segundo trimestre comecei a dormir abraçada em um travesseiro alguns dias, senti que deu mais suporte e dormi melhor – não comprei travesseiros específicos, estou usando os que temos em casa.
Um ponto curioso que soube que é super comum: tenho sonhado muito mais! São vários sonhos, toda noite.. uma loucura.
Livros e outros materiais:
What no one tells you when you’re pregnant.
Livro escrito por psicólogas com anos de atendimento a gestantes.
Elas abordam desde o início da gravidez até pos-parto e trazem uma visão bem legal para normalizar todas as nuances que a gestação e a mulher podem ter.
Birth without fear.
Livro sobre parto sem medo escrito por uma mãe de seis!
Foca bastante no poder que temos como gestantes e defende a ideia de que devemos nos apropriar desse poder durante a gestação, durante o parto e no pós parto.
Colocar limites, confiar em nosso corpo, buscar apoio com as pessoas e profissionais que nos sentimos bem.
O Poder da Resiliência.
Não é sobre gestação, mas é um livro fantástico.
A visão da psicologia sobre resiliência com pontos muito relevantes e atividades práticas baseadas em neurociência para promover calma, força e felicidade.
Acredito que em qualquer momento de vida é uma leitura válida, mas ler durante a gestação foi bem especial.
Reflexões que tive nessa fase:
Escolher bem o que/quem se lê e ouve é fundamental.
Digo isso porque é impressionante como o medo está em todo lado quando falamos de gestação.
É tão, mas tão fácil cair nessa espiral e começar a imaginar cenários, ter medo de estar fazendo tudo errado e deixar de confiar no seu próprio corpo que é um trabalho quase diário se manter longe de pessoas, lugares e ideias que perpetuam essa cultura do medo.
Vai do palpite do outro sobre o tamanho da sua barriga até manuais prontos de gravidez que dividem sintomas e características semana a semana.
- As pequenas coisas do dia a dia são as mais especiais.
Com tantas mudanças incontroláveis, ter momentos em que se faz algo que realmente goste são riquíssimos.
Caminhar pelo bairro por alguns minutos num dia de sol, tirar um cochilo à tarde, fazer as refeições em boa companhia, encontrar amigos e dar risada, ter força e disposição para exercícios físicos, acordar com calma.
Essas coisas podem passar despercebidas na correria do dia a dia, mas quando paramos para valorizá-las a vida fica automaticamente mais rica.
E você como foi/está sendo seu segundo trimestre??
Se ainda não me segue no Instagram, te espero lá também.
Beijos e até a próxima!


Parabéns pra vcs pelo novo integrante da família e muitas felicidade,saúde e boa alimentação pra chegada do bebê.