O outro lado da moeda

arvores no outono

Quando viramos o outro lado da moeda do auto conhecimento, ali está a empatia.

O episódio de hoje do Podcast Bocadinho é sobre essa ferramenta que ajuda a impor limites e evitar os julgamentos, sem deixar de considerar o que o outro sente. Uma reflexão rápida sobre um assunto necessário.

Listen to “T02E09 – O outro lado da moeda” on Spreaker.

Para melhorar você, olhe o outro

Em uma temporada que me propus a falar sobre o seu auto desenvolvimento, talvez você imaginasse que falaríamos os doze episódios só sobre você. Mas, hoje, vamos virar a moeda. 

Vamos falar do outro. Vamos falar de empatia.

Eu lembro até hoje o dia que ficou claro pra mim porque eu queria ser melhor.

Eu estava fazendo meu treino, mais especificamente subindo escadas, e pensando no que tinha acontecido no final de semana.

Tinha tido uma discussão acalorada, falado coisas da maneira errada e na hora errada e deixado o ambiente com aquele clima que dá para cortar com uma faca de tão pesado, sabe?

Não tinha sido a primeira vez que fiz isso. Desde novinha eu sempre fui, como minha mãe me disse inúmeras vezes, respondona e boca dura. Ouvi algumas vezes também que eu era intransigente e arrogante.

Não vou dizer que não era nada disso.. olhando para trás vejo que conviver com a Flavia adolescente devia ter sido uma tarefa que tirava até monges budistas da sua plenitude.

Dos meus 20 aos 25 eu comecei a melhorar, ou como diria minha mãe, a virar gente. Nessa época eu comecei a praticar yoga e meditação, e isso mudou muito a maneira como eu me enxergava no mundo.

Faz alguns anos que tenho a plena noção de que tudo o que me incomoda está em mim, e não no outro e por isso que insisto tanto que para mudarmos algo, precisamos primeiro focar 100% em nós mesmos.

Voltando ao dia da escadaria, estava eu lá subindo e descendo degraus e tentando digerir o que tinha acontecido. Toda vez que essas coisas aconteciam, que eu brigava, discutia ou me fechava, eu ficava mal por dias, me sentia culpada, envergonhada e infantil. 

O caminho inverso

Até que nesse dia, me vi fazendo um caminho mental inverso: em vez de me culpar e ficar envergonhada por como tinha reagido, comecei a me questionar porque eu tinha feito aquilo.

E foi aí que eu me liguei que eu só tratava os outros mal quando eu estava mal.

Percebi que fiz o que fiz porque não estava respeitando os meus limites. 

Aí, uma hora eu não aguentava, e explodia.

Eu percebi que todas as vezes que fiz comentários maldosos ou irônicos, foi porque ou eu me sentia diminuída, ou ameaçada ou até com inveja.

Percebi que ficava na defensiva ou me fechava quando não me sentia parte do que estava acontecendo.

Claro que não foi legal e nem fácil perceber e aceitar que minha raiva era uma necessidade não atendida. Que meu ciúmes era falta de confiança em mim mesma. Que meus comentários ácidos e irônicos vinham de um sentimento de não ser suficiente.

Não foi fácil ver que eu atacava os outros na esperança de me defender de mim mesma. 

Mas foi assim que eu percebi que a Flavia crítica, arrogante, petulante e sarcástica só aparecia quando eu não estava bem.

Percebi também que por não estar bem eu contaminava o ambiente ao meu redor. Eu machucava os outros, ignorava o que eles poderiam sentir, me colocava em um pedestalzinho e ficava lá fingindo não ligar pros resultados do meu comportamento, agindo com uma arrogância sutil que é tão comum e presente em todos nós.

Remorso e culpa

Mas a verdade é que desde pequena eu lembro de sentir um remorso e uma culpa horrível em vários desses momentos em que fui maldosa.

E foi naquele dia nas escadas que eu falei: “chega.. eu não vou mais me machucar desse jeito! Eu que ache um jeito de ficar bem comigo para parar de tratar os outros mal.””

E aí, que eu entendi que alguns comportamentos e discursos são originados do sofrimento.. e entendi que se a pessoa não está sofrendo, ela não vai fazer o mal.

Fui um pouquinho além e pensei nas vezes que pessoas me trataram mal, fizeram comentários grosseiros, lembrei de conhecidos que só abrem a boca para falar dos outros e reclamar da vida e pensei “caramba… eles devem estar vivendo um inferno interno””.

Pense você em alguem que está sempre reclamando ou que vive falando da vida alheia. Essa pessoa parece estar feliz? Você acha que ela se sente útil? Que ela vê significado na vida que leva? 

Pare um momento agora. Respire fundo. Solte o ar devagar.

O outro lado da moeda é a empatia

E é assim que a gente vira a moeda do autoconhecimento e encontra o outro lado: a empatia.

Ninguém faz mal a alguém a não ser que esteja vivendo o seu próprio inferno.

E é por isso que eu, no meu dia-da, tento ao máximo não julgar os outros. Eu não sei as batalhas deles, eu não sei das inseguranças, medos, dificuldades.. não sei em qual trama da vida eles se enfiaram.

Por isso que, quando leio um comentário de alguém me xingando, falando que sou burra, que sou mentirosa, que meu nariz é feio, antes de ficar nervosa ou me defender eu penso que triste deve estar o momento de vida dela para ter que atacar uma desconhecida na tentativa de aliviar sua própria dor.

Talvez agora você esteja pensando, “Ok, Flavia, entendi. Mas e como eu lido com essas pessoas? Por que tem algumas delas que realmente são más..”

Por isso que estou dedicando horas semanais para trazer conteúdos aqui que fortaleçam você e não essa pessoa.

Por esse motivo estou falando sobre limites, valores e auto responsabilidade há algumas semanas.

Por que se você for depender da atenção, carinho, amor e empatia dos outros, talvez você não consiga sair do lugar. Por que não são todas as pessoas que, assim como você, estão dedicando 15 minutos que seja do seu dia para ouvir algo para melhorar a si mesmas. 

E é por não poder depender de ninguém, que você precisa se tornar essa pessoa empática, boa, forte e com limites definidos, para não contaminar ainda mais um mundo tão contaminado.

Você tem que fazer o que for preciso para em vez de aumentar a sombra, ser um pontinho de luz.

Depois que você fizer isso, fica fácil conviver com todo tipo de pessoa. 

Até porque, empatia não tem nada a ver com submissão ou complacência. Você pode ser empático, tentar se colocar no lugar daquela pessoa e não ficar no mesmo espaço.

Lembre disso

Você não tem obrigação nenhuma de salvar ninguém.

Não precisa conviver com alguém que te maltrata.

Você sempre pode colocar novos limites em relações antigas.

Seja essa relação com você mesmo, com sua família, colegas de trabalho, amigos de infância ou novos amigos.

Empatia não é falar ou fazer o que o outro quer que você faça ou fale.

Não é aceitar todo e qualquer comportamento alheio.

Nem é se apagar para não incomodar.

Empatia, para mim, é um dos lados do auto conhecimento. É um dos resultados de ter limites definidos. É uma forma de respeito incondicional – respeito pela história do outro e pelos seus limites pessoais.

Como Jordan Peterson diz: Cuide de você

Defina quem você é

Refine sua personalidade

Escolha seu caminho

Foque em você primeiro antes de querer mudar qualquer coisa ou ajudar outra pessoa.

Lembre que todos estamos aqui querendo ser amados e aceitos.

Cada um na sua jornada, no seu caminho, com suas crenças e limitações.

Faça o seu, respeite o dos outros, continua o seu caminho.

Você pode me ajudar!

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O pouquinho que cada um de nós faça, reverbera longe.

Obrigada pela audiência e carinho! Leio todas as mensagens e estou muito feliz mesmo que estão gostando desta segunda temporada. Se não ouviu os outros episódios, convido você a ouvir na sequência.

Até a próxima semana!

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