Valores, como saber quais os seus?

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Ter limites definidos deveria ser a coisa número 1 ensinada para se ter saúde. Mas, temos um problema bem básico: não temos certeza do que valorizamos e assim acabamos não sabendo até onde devemos ir.
Em meio a respostas padrões da nossa mente, comportamentos coletivos e a correria do dia-dia, é fácil virar aqueles memes de expectativa X realidade.
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No episódio de hoje, conto pra você como uma conversa com minha terapeuta balançou uma decisão que pra mim era definitiva e me fez perceber quais meus reais valores. Vem refletir comigo e fazer o exercício que proponho.

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*Você só conhece a liberdade depois que define seus próprio limites e ter limites definidos deveria ser a coisa número 1 ensinada para se ter saúde*

Você já pensou como você viveria se ninguém tivesse falado pra você o que deveria fazer e não fazer?

No episódio anterior eu pedi para você pensar em três pessoas que mais admira e escrever um pouco sobre elas, o que elas fazem, como vivem e escrever um adjetivo que você definiria o que mais gosta nela.

Normalmente o que mais admiramos nos outros são traços de personalidade ou atitudes que gostaríamos para nós. 

Seguindo nosso caminho, hoje vamos conversar sobre um tópico fundamental para seu autoconhecimento e autodesenvolvimento, valores. Valores são os componentes fundamentais da nossa identidade, nós somos definidos pelo que escolhemos dar importância na nossa vida, pelas nossas prioridades.

A maneira que escolhemos viver reflete constantemente nossos valores e muitas vezes o que nós dizemos ou pensamos valorizar, não está alinhado com o que fazemos no nosso dia-dia. 

Escolhas nos trazem liberdade e por isso é tão importante prestar atenção ao que escolhemos.

Eu já tinha ouvido falar sobre valores e feito aqueles exercício em que você escreve ou escolhe palavras como “família”, “dinheiro”, “segurança”, “carreira”, “bondade”, “crescimento” e enumera de acordo com a ordem que você acha importante.

Francamente, isso nunca me serviu para muita coisa. Esse tipo de exercício não me fazia questionar meu dia-dia para ver se estava alinhado com essa ordem que eu dizia priorizar os aspectos da minha vida.

Mas, a vida está aí para nos dar aquele empurrãozinho, rasteirinha, tapinha, para acordarmos né? 

Ano passado, uns dias depois que terminei meu relacionamento, encontrei minha psicóloga para uma sessão. Comecei as sessões com ela meses antes porque as coisas não estavam nenhum pouco bem. 

O cenário era mais ou menos o seguinte: eu dizia querer uma família, mas não queria abrir mão da minha liberdade e independência, de viajar pra onde eu quisesse, com quem eu quisesse, na hora que eu quisesse. Além disso, eu escolhi me mudar para um lugar que eu não queria, passei a conviver com pessoas que não representavam características e valores que eu admirava, fiquei longe de pessoas que me importavam muito e estava me tornando uma pessoa que eu não gostava.

Por mais que eu me esforçasse para criar a vida que eu queria, simplesmente não dava. 

E mesmo a outra parte também tendo responsabilidade pelo o que estava acontecendo, a verdade é que para mudar algo eu só poderia mudar eu mesma, e foi só quando eu percebi isso que consegui de fato fazer algo.

Na sessão pós termino, indo contra as previsões normais, não derramei uma lágrima. Acho que já tinha chorado tanto nos últimos meses que não tinha mais porque. O momento que decidi, estava muito certa. Nada mais era possível se não sair de onde eu estava e me reencontrar. 

Minha terapeuta é uma mulher inteligentíssima, sensível e sábia. E por achar isso, uma única pergunta que ela me fez nessa sessão me fez questionar minha decisão do término. 

A conversa na sessão obviamente não é como vou descrever, mas é assim que eu me lembro, então é assim que vou usar para ilustrar a reflexão que quero trazer aqui.

Minha psicóloga olhou pra mim e disse algo como: “Pois é, Flavia.. olhando de fora você tinha um bom relacionamento: um casal jovem, bonito, bem sucedido, morando em um apartamento lindo, num lugar legal, viajando sempre, se divertindo. O que faltava?”

Eu engasguei… só consegui falar: “nada, né? Eu vou ser então sempre insatisfeita?”

Sinceramente, não lembro o que ela disse depois. Essa pergunta ressoou em mim por meses, me fez questionar quem eu estava sendo e o que eu estava buscando. 

Meu ex sempre falava que nunca nada estava bom pra mim. Que não ia adiantar morar perto. Não ia adiantar comprar apartamento. Não ia adiantar assinar papel. Pra mim, nunca ia estar bom.. e o problema era eu.

Ouvir o questionamento da minha terapeuta.. o que faltava se parecia que tinha tudo, me deu um belo de um tapa na cara.

“É, parece que ele estava certo, eu pensei”.

O problema realmente era comigo e eu simplesmente sempre ia achar algo que faltava, mesmo tendo tudo.

Mas, eu tenho meu tempo para digerir e entender as coisas. E assim eu decidi que queria entender melhor quem eu era e quem eu queria ser.

8 meses depois, em uma conversa despretensiosa em uma osteria em Milão, eu tive minha resposta. 

Eu vi que não, eu não vou ser sempre insatisfeita. 

O que aconteceu foi que a única coisa que precisava ter para não precisar ter mais nada, não existia. 

Faltava eu aceitar a minha verdade e ver que eu estava tentando fazer algo que nem eu acreditava. Eu dizia valorizar coisas, mas minhas ações não estavam alinhadas com o que eu pensava ou dizia querer e quando comecei a perceber isso, vi que também não estava no tipo de ambiente ou com as pessoas que eu queria. 

Não importa o tanto de coisas aparentes estejam certas. 

Se o que realmente importa não existir, nada vai fazer sentido. Nada, nada, nada. Não tem casa, dinheiro, juventude, festa, marca, bolsa, viagem que vai fazer sentido se o seu valor mais intrínseco, verdadeiro e fundamental não estiver por trás.

O problema não é que eu não apreciava o que eu tinha acesso. As viagens, o apartamento, o lifestyle, as festas… eu gostava de tudo aquilo, e ainda gosto, mas a falta da conexão real, de um propósito maior, do amor verdadeiro, era o que me dava a sensação de estar sempre faltando algo.

E por mais louco que seja, porque a gente já viu histórias e já ouviu relatos, a gente continua achando que quando falta alguma coisa a solução é procurar fora. É trabalhar mais, ter um cargo melhor, um cara mais gato, uma namorada mais gostosa, uma história mais divertida.

A gente aumenta a velocidade, a gente dorme menos, trabalha mais, segue mais gente no Instagram, compra mais coisas, e continua na rodinha do Hamster, sem parar, sem nunca chegar a lugar algum e sem abrir espaço para alguém caminhar com a gente.

Mas, o lindo da vida, é que ela vai dando oportunidades pra gente perceber e corrigir o percurso. É sutil, requer atenção.. mas não tem problema, porque se a gente finge não enxergar e continua, ela dá um jeito de fazer a gente prestar atenção.

Nesse momento que estamos vivendo, por exemplo, não temos opção a não ser estar em casa e conviver com nossas escolhas. Fomos obrigados a parar todos ao mesmo tempo.

Que momento para a gente ver que tem muita coisa que a gente tem e faz que não vale quase nada. Que momento para perceber a falta que o simples está fazendo.

Que momento para questionar o que realmente importa, para reavaliar nossas prioridades, questionar nossos valores e quem sabe, reinventar nossa personalidade. 

Para aproveitarmos esse momento e sermos francos com o que dizemos valorizar e o que realmente priorizamos, quero propor um exercício.

Pegue um papel e caneta ou abra o bloco de notas do celular e escreva em linhas separadas cada palavra que vou dizer. Anota aí:

família, relacionamentos (com amigos ou amoroso), cuidado pessoal, trabalho, estudos, lazer, espiritualidade, finanças. Caso queira acrescentar algum outro aspecto, acrescente.

Agora, analise quanto tempo em média você dedica por dia ou por semana para cada um. Se possível, escreva quais atividades você faz para cada. 

Escreva ao lado das palavras. Pode pausar o episódio e fazer.

Depois de fazer o exercício você vai ter uma ideia melhor de como está a proporção do que você deseja ser para o que você realmente é hoje.

Eu nunca conheci alguém que disse que dinheiro, fama, aparência e status são suas prioridades. Mas, quando olhamos pra vida real, vemos um cenário assim: ouvimos que valorizam família, relacionamentos, saúde, meio ambiente e bem-estar de todos.. na prática assistem e leem fofoca, falam da vida dos outros, fazem dietas extremas ou compram promessas emagrecedoras, estão sem paciência para ouvir quem tem opiniões diferentes das suas, comem e compram mais do que precisam, passam a maior parte do tempo rolando o feed nas redes sociais vendo a vida de pessoas que nem conhecem enquanto dizem não ter tempo para fazer exercícios, cozinhar ou encontrar os amigos.

Não é difícil de perceber que existe um pequeno desajuste no que dizemos valorizar e no que fazemos no dia-dia, certo?

Quando decidimos reavaliar nossas prioridades e valores, é importante salientar que é natural da nossa mente fazer escolhas baseadas em emoções, e que essas escolhas priorizem satisfação a curto prazo ao benefício longo prazo, e normalmente essas escolhas são mais focadas em nós mesmos do que em um cenário mais amplo.

Isso é normal e também é normal a gente sentir vergonha de assumir que valorizamos certas coisas em detrimento a outras.

Mas aqui, além de querer que você seja sincero com você mesmo, eu gostaria muito que você também fosse carinhoso e empático com você. 

Independente de quais foram suas escolhas até aqui, se você percebeu que seu discurso não está alinhado com sua prática, se você machucou alguém, se você falhou várias vezes, se você desistiu tantas outras… você vai se comprometer a se acolher com carinho hoje mesmo, independente do que tenha acontecido.

Ninguém sabe direito o que está fazendo. Assim como você, todo mundo está tentando acertar, todo mundo está querendo ser aceito e amado. 

Só que se não tivermos uma prioridade bem definida e forte suficiente, vamos sempre cair na armadilha da recompensa fácil e instantânea e não abriremos mão de nada, nem nos esforçaremos um pouco a mais quando estivermos cansados.

O que pode parecer uma escolha inofensiva optar pedir uma pizza no fim do dia justificando que estamos cansados para cozinhar uma refeição que levaria 30 minutos para ficar pronta, é apenas o micro que reflete nosso macro.

Foi assim que viramos uma sociedade fast food, com relacionamentos cada vez mais superficiais, preferências cada vez mais padronizadas e pessoas cada vez menos dispostas a renunciarem prazeres imediatos por um plano futuro.

Mudar suas prioridades, muda seus valores.

No livro Em busca de sentido, do psicólogo e sobrevivente de campo de concentração Nazista Victor Frankl, ele diz que o sentido da vida varia de pessoa para pessoa e muda a cada dia, hora, minuto. Mas é quando o homem esquece de si mesmo se doando para uma causa ou amando alguém que ele se torna cada vez mais humano e mais se entende. Ou seja, o real sentido da vida, para ele, transcende o indivíduo. 

Só que a gente só muda algo, depois de mudarmos nós mesmos. 

O amor é a unica maneira de entender outro ser humano em sua mais interna essencia e personalidade. Ninguem pode ficar ciente da essencia de outro ser humano a não ser que o ame. 

Atraves do amor ele consegue perceber características essenciais e características da pessoa amada e ver o potencial nela. Por seu amor, a pessoa amorosa permite que a pessoa amada realize o potencial, tornando-a consciente do que ela pode ser e do que ela deve se tornar,. O amor torna essas potencialidades realidade.

E é por isso que semana que vem eu espero você para um episódio bem especial, vamos resgatar esse amor aí.

Pausa

Hoje trouxe alguns conceitos que considero importantes para nosso autodesenvolvimento e mostrei como podemos buscar pistas no nosso dia-dia do que está desajustado. Não tenha pressa e não se cobre nesse caminho, ainda temos bastante o que conversar nas próximas semanas, o importante é manter a curiosidade e interesse no seu processo.

Vem me dar um alô no Instagram, eu adoro saber o que você está achando. Até semana que vem!