No dia do parto | 1 semana depois
Meu relato de parto natural sem medicação, confira abaixo como foi!
Minha filha nasceu em um sábado à noite, uma semana e um dia antes da data prevista, portanto de 38+6, em um parto natural, intenso e sem medicação.
O finzinho da gestação
Se você leu meu relato do terceiro trimestre, viu que eu passei por algumas emoções nas últimas semanas, e apesar de ter tido uma gestação tranquila e saudável, no fim eu já estava cansada – emocionalmente e fisicamente.
Nos últimos três dias de gestação eu estava irritada, cansada, exausta. Fazia algumas semanas que tinha contrações, que a pressão na minha pelve aumentava, mas nenhum outro sinal de que ela nasceria.
A maioria dos relatos de parto que lia e ouvia, os nenéns tinham nascido de madrugada ou manhã cedo, e eu estava dormindo tão bem que achava que ela não ia vir tão logo.
Um dia antes do parto
Na sexta-feira acordei bem, fiz Yoga, mas depois foi ladeira abaixo.
Um mau humor e cansaço tomaram conta de mim e apesar de ter ido pra piscina para tentar relaxar e me distrair, o resto do dia fiquei deitada. À noite, tínhamos reserva em um restaurante, então reuni forças, me arrumei e fomos.
Ainda bem, porque foi uma delícia.. e acabou sendo nosso último jantar a dois antes da nossa filha.

O início do trabalho de parto – early labor
No sábado acordei por volta das 8h30 e logo comecei a sentir umas dorzinhas tipo cólica, só um pouco mais fortes. Achei que era vontade de ir ao banheiro, fui e não passou.
Comecei a perceber que estavam muito constantes e resolvi cronometrar.
Tinham 5 a 6 minutos de intervalo e duravam mais ou menos 1 minuto. Continuaram assim por mais de 1 hora e a cada contração eu me agachava para aliviar a dor e focava em respirações bem profundas.
O intervalo das contrações foi diminuindo então liguei para minha midwife perto das 11h e ela disse que eu não precisava mais cronometrar e que iria até minha casa para me examinar.
Às 14h30 ela chegou em casa e conferiu que eu estava mesmo em trabalho de parto, mas no início (early labor). Eu tinha apenas 1 cm de dilatação e como era minha primeira filha, poderia levar ainda várias horas. Provavelmente só no dia seguinte ela nasceria.
Nesse momento quase fiquei frustrada, já estava com contrações regulares há 6 horas.. mas a midwife disse para eu não ficar pensando nisso, que era super natural e que era para eu relaxar e seguir meu dia, se algo mudasse, se a bolsa estourasse ou eu tivesse sangramento era para ligar pra ela.
Eu fiz o que ela recomendou, ou pelo menos tentei. Porque relaxar e viver um dia normal quando você tem contrações a cada 4 minutos não é exatamente uma tarefa fácil.
Evolução durante o dia
Almoçamos em casa, ouvindo a playlist que eu tinha preparado para o dia do nascimento dela. Meu marido fez pasta carbonara para nós e em meio a contrações consegui comer quase tudo.

As dores foram ficando mais fortes e resolvi entrar na banheira de casa para ver se melhorava.
Fiquei um tempo lá, não sei exatamente quanto.. meu marido o tempo todo ao meu lado – e foi assim até ela nascer. Ele foi um companheiro sensacional, me deu força, segurança e amor o tempo todo!
Saí da banheira e fui deitar, tentar dormir um pouco, mas não consegui.

As dores foram aumentando, isso já era umas 5 da tarde e eu comecei a pensar que não ia aguentar mais 12 ou mais horas naquele ritmo. Quando lágrimas começaram a sair quando as contrações chegavam, eu pedi pro meu marido ligar de novo pra midwife e explicar que eu queria algo para me ajudar com a dor.
Ela fez algumas perguntas, me ouviu tendo contrações e disse: “eu ia para a casa de vocês, mas é melhor a gente se encontrar direto no hospital. Vejo vocês lá às 20h30”, isso era umas 19h30.
Nos arrumamos e fomos. No elevador eu tive contrações, no carro, fui no banco de trás, sem achar posição e com muita dor a cada contração, cheguei no hospital tendo contrações – bem cena de filme.
A chegada no hospital
A partir dessa hora as imagens são mais confusas pra mim. Eu lembro de estar sempre me mexendo, não conseguia ficar parada/sentada/deitada. Toda contração eu agachava para aliviar um pouco a dor, e focava na respiração.
Entramos no quarto do hospital perto das 21 horas, me examinaram, examinaram a neném, nós duas estávamos bem.
Então, perguntaram se podiam estourar minha bolsa e eu concordei. Eu estava tendo dores entre as contrações, provavelmente porque a neném estava descendo e fazendo pressão contra a bolsa e meu cervix, mas a bolsa não estourava.
Quando estouraram realmente a dor entre contrações melhorou, mas as contrações doíam bastante ainda.
Decidi ir para a banheira.. fiquei lá uns 40-50 minutos, eu não me lembro na verdade.
A cada contração eu ficava ajoelhada e respirava fundo, já fazendo barulho quando soltava o ar e relaxando a pelve. Entre as contrações me encostava na banheira e fechava os olhos – acho até que cochilava.
Até que disse que não aguentava mais as dores, eu queria algum remédio ou epidural.
A midwife disse para eu ir para a cama, ela ia me dar uma bola em forma de amendoim como chamam aqui, e a máscara de gás (laughing gas), que na verdade não diminui a dor, só te ajuda a concentrar na respiração. No meu caso, ajudou a abafar meus gritos no expulsivo kkkk.
Período expulsivo
Eu deitei na cama de lado e na minha primeira contração elas perguntaram se eu estava fazendo força, e eu respondi um sim sofrido. Eu não estava conscientemente fazendo força, foi algo natural, elas repararam pela vocalização durante a contração.
Então, elas se apressaram para preparar os materiais e chamar a enfermeira, porque eu estava já no expulsivo. Essa parte eu só lembro da movimentação delas, como vultos, mas eu estava em outro mundo, na partolândia como falam.
Meu marido estava ao meu lado o tempo todo, depois ele me contou que elas realmente não esperavam que meu parto ia progredir tão rápido e que foi uma correria para chamar a enfermeira e ter tudo preparado – ele ficou tenso, eu não vi nada!
Foram uns 30 minutos fazendo força para a Nina sair, as midwives me guiando em posições e quanto deveria fazer força ou parar – elas foram fundamentais.
Eu segurava a mão do meu marido e com a outra mão a máscara, enquanto fazia força para a neném sair. Depois, mudei de posição e segurei minhas pernas, como elas pediram.
Senti o círculo de fogo, uma ardência forte que é quando a cabeça começa a sair, e eu estava super focada em continuar e terminar logo com aquela dor.
Eu já estava bem cansada e só pensava que estava quase e que ia dar certo!
Assim que a cabeça saiu, fiz força mais duas vezes e senti um alívio enorme ao ver a Nina sendo colocada no meu colo, toda pequenininha e calminha.
Foi uma sensação incrível e única.. passei de uma dor extrema para uma calma e alívio imediato!!! É algo realmente único!!!
Na verdade foi tudo tão intenso e rápido que demorei algumas semanas para processar tudo o que tinha acontecido.
Golden Hour
Enquanto ela estava no meu colo, fiz força para a placenta sair e depois de alguns minutos meu marido cortou o cordão umbilical dela. Ela mamou no peito e ficou comigo por um bom tempo.
Depois pegaram ela para fazer exames, medir ela (nasceu com 3,350kg e 53cm) e depois ela ficou no colo do meu marido fazendo skin to skin com ele – muito especial também!
Não tive laceração, não precisei de pontos nem nada disso!
Em casa 2 horas depois
Aqui no Canadá, quando a mãe e bebê estão bem é muito comum que eles te liberem no mesmo dia.. e foi o que aconteceu.
Às 2h30 da manhã já estávamos em casa com nossa filha!

Hoje, que escrevo esse texto, estou com 50 dias de pós parto e minha recuperação tem sido incrível.
Em uma semana eu já me sentia bem e disposta, com 10 dias me liberaram para fazer exercícios leves – alongamentos e algo de Yoga.
Hoje, faço caminhadas, alguns exercícios de fortalecimento e nado – tudo com acompanhamento dos profissionais que me acompanharam desde a gravidez.
Pós-parto
Como disse desde meu primeiro post sobre gestação, esse meu relato pessoal não é para servir de base para comparações de forma alguma, cada pessoa é um universo diferente e comparações não fazem sentido.
Mas se tem algo que eu tenho vivido na pele e percebido a enorme força que tem, é o quanto ter hábitos saudáveis durante a vida faz enorme diferença.
Não posso deixar de pontuar que ter um corpo e organismo fortes tem sido essencial para meu bem estar e da minha filha. Gerar, parir e agora amamentar são tarefas que exigem muito do corpo e da mente, e ter cuidado de mim tão bem nos últimos anos com certeza fez com que hoje eu esteja colhendo louros.
Eu jamais imaginei que meu parto e meu pós parto seriam como foram, tão tranquilos e leves. Claro que teve dor, cansaço, oscilação hormonal, dúvida e medo, mas em uma escala tão pequena que a conta geral está muito positiva.
Eu lia relatos de parto e pós-parto e confesso que tinha receio de que fosse ser algo ruim. Quase não achei relatos de experiências mais leves e tranquilas, e por isso acho legal ser sincera de como está sendo pra mim – para mostrar que é possível!
Não deixe de ler como me preparei durante a gestação.
O que achei fundamental para meu parto:
- estudo e conhecimento
- confiar que meu corpo é capaz
- controlar a mente e lembrar que iria acabar
- treinar respiração
- ter pessoas e profissionais em quem confiava comigo
- não ter expectativa alguma de como seria ou quanto tempo levaria para minha filha nascer
- ter consciência corporal (me movimentar da forma que meu corpo pedia)
Falarei mais para frente sobre minha alimentação durante a gravidez e no pós-parto! Mas já adianto que ela basicamente foi o que ensino no Meal Prep da Fla – tanto em forma de organização como as receitas!
Fique conectada comigo e não perca 🙂
Agora, me conta como foi para você?
Um beijo,


Nossa Fla!
Que parto lindo parabéns …
Minha bebê está com 3 meses eu tentei por mais de 12 horas parto normal.
Só que chego uma hora que minha pressão subiu foi para 17 eu estava com 7 de dilatação médico me conduziu para cesárea mesmo eu relutando. Só que aí eu e a baby estava em risco, fiquei frustrada pela recuperação da cesárea porque você depende de todos para tudo durante uns dias, os pontos dói e ardem bastante. Hoje estou mais tranquila entendi que Deus quis assim é cada corpo é um é um corpo por mais que tenho me preparado com pilates,musculação e alimentação.